O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados, António Guterres, inicia hoje uma visita de dois dias aos campos de refugiados saaráuis de Tinduf, a primeira de um principal responsável desse organismo internacional nos últimos 33 anos.
O principal responsável do Alto Comitê das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) chegará aos acampamentos do sudoeste argelino ao redor do meio-dia, onde será recebido pelo primeiro-ministro saaráui, Abdelkader Taleb Omar.
Desde que o fizesse o alto comissário Sadruddin Aga Khan em 1976, pouco depois que os refugiados saaráuis se estabelecessem no sul da Argélia após a ocupação marroquina do Saara Ocidental, nenhum outro líder do Acnur visitou os acampamentos de Tinduf.
Segundo indicaram a EFE fontes do organismo internacional, Guterres deseja ter uma visão pessoal direta da situação dos saaráuis, que dependem totalmente da ajuda humanitária internacional.
O comissário permanecerá até amanhã nos acampamentos, onde inaugurará um tribunal de justiça financiado pelo Acnur e assistirá a um jantar oferecido pelo presidente da República Árabe Saaráui Democrática (RASD), Mohammed Abdelaziz.
Posteriormente viajará para Rabat e ao Aiún, capital do Saara Ocidental, sob controle marroquino.
Em declarações aos jornalistas ontem em Argel, Guterres qualificou de “verdadeiramente dramática” a situação dos refugiados saaráuis e destacou que se encontram “bastante esquecidos” pela comunidade internacional.
“Cada ano, em um período significativo do ponto de vista das convicções religiosas, eu realizo uma visita de solidariedade aos refugiados e este ano elegemos os refugiados saaráuis que vivem uma situação verdadeiramente dramática que perdura desde 1975”, disse após reunir-se com o ministro argelino de Assuntos Africanos e Norte-africanos, Abdelkader Messahel.
Guterres explicou que com sua visita pretende “atrair a atenção da comunidade internacional sobre o drama dos refugiados” saaráuis e expressar-lhes sua solidariedade no mês sagrado muçulmano do Ramadã.
O responsável da ONU elogiou “a generosidade do Estado argelino, que brindou proteção aos refugiados saaráuis durante um período tão longo” e manifestou o interesse do Acnur “de trabalhar de uma melhor maneira para ajudar aos refugiados”.
Além disso, anunciou que o Acnur está tentando mobilizar recursos para as situações mais esquecidas pela comunidade internacional e considerou que a dos refugiados saaráuis está ” suficientemente esquecida”. |