Quatro presidentes africanos chegaram nesta segunda-feira em nome da União Africana (UA) a Abidjan em um cenário de tensão para discutir uma saída pacífica à crise iniciada no país após as eleições do dia 28 de novembro, que deixaram o país com dois presidentes e dois Governos.
Os governantes chegaram separadamente ao aeroporto de Abidjan, cheio de seguidores de Laurent Gbagbo, que por sua vez se nega a abandonar a Chefia do Estado da Costa do Marfim apesar da rejeição da comunidade internacional, que reconhece seu rival, Alassane Ouattara, como legítimo presidente eleito do país.
Os manifestantes esperavam desde domingo o presidente de Burkina Fasso, Blaise Compaoré, que acusam de apoiar Ouattara e que rejeitam como componente do painel da UA, que descartou viajar ao país por questões de segurança.
Chegaram os presidentes Idriss Déby Itno, do Chade; Mohammed Ould Abdel Aziz, da Mauritânia; Jacob Zuma, da África do Sul, e Jakaya Kikwete, da Tanzânia, que devem reunir-se com Gbagbo e Ouattara para apresentar-lhes suas propostas, após terem estudado o relatório realizado por um grupo de analistas.
Os líderes foram recebidos no aeroporto pelo representante da União Africana, Ambroise Nyonsaba, perante a recusa do Governo de Ouattara a que estes fossem recebidos por membros do executivo designado por Gbagbo.
Nesta segunda-feira, Abidjan parecia uma cidade fantasma, após os distúrbios ocorridos na amanhã em alguns bairros, que deixaram um morto na zona de Treichville, onde jovens seguidores de Ouattara se manifestaram e bloquearam as principais ruas.
“Há disparos em todas as direções”, disse à Agência Efe um morador do bairro, que não quis identificar-se, por telefone.
Em Kumasi, os manifestantes também bloquearam as principais ruas, e em Adiame e Abobo, também bairros populares onde a maioria é a favor de Ouattara. Os táxis e microônibus que viajam entre Abidjan e seus arredores permaneceram parados, enquanto o comércio fechou suas portas.
A Missão das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI) emitiu nesta segunda-feira um comunicado no qual reafirma “a imparcialidade militar de seus esforços para encontrar uma saída pacífica à crise do país”.