O presidente russo, viagra 100mg Dmitri Medvedev, parte amanhã em sua primeira turnê latino-americana, com a qual pretende culminar o “retorno” à região que a Rússia impulsiona durante os últimos meses.
Medvedev passará o próximo final de semana em Lima, onde participará da reunião de chefes de Estado e de Governo da Apec, visitará o Brasil entre 24 e 26, a Venezuela entre 26 e 27 e Cuba no dia 27.
“O desenvolvimento das relações com a América Latina não depende de nossas relações com outros países nem fatores conjunturais”, declarou em entrevista à Agência Efe Alexei Sazónov, subdiretor do Departamento de Informação do Ministério de Relações Exteriores da Rússia.
Sazónov, que acaba de retornar de uma viagem por sete países latino-americanos, expressou sua indignação pelos comentários da imprensa de que esta “incursão” ao “pátio” dos Estados Unidos é a resposta do Kremlin à política de Washington no espaço da antiga União Soviética.
“A base do interesse da Rússia pela América Latina são seus próprios interesses nacionais”, afirmou.
No âmbito político, Moscou é partidária de um mundo multipolar e está interessado, portanto, em manter um “diálogo político fluído” com os países da América Latina, diz o porta-voz.
“O crescimento de seu papel político é evidente, sua voz já não é um sussurro como outrora”, declarou Sazónov, que dedicou à América Latina parte substancial de sua carreira diplomática.
Na América Latina, declarou, “surge um novo pólo político mundial” e é natural que Moscou queira desenvolver as relações com este “parceiro sério e potente”, que tem seus “próprios interesses em temas de segurança internacional, terrorismo ou narcotráfico”.
Ao longo deste ano os contatos da Rússia e dos países latino-americanos se multiplicaram.
Duas visitas do presidente venezuelano, uma do vice-presidente colombiano e duas visitas ao mais alto nível, dos presidentes de Argentina e Nicarágua, previstas para dezembro, e de Cuba e Uruguai para os próximos meses, coroam o grande número de viagens que nos últimos meses realizaram a Moscou ministros e secretários de Estado ibero-americanos.
Após as recentes jornadas da Rússia na América Latina, realizadas em 11 cidades de sete países, é agora o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, quem percorre Colômbia e Equador, que ficaram fora do percurso de Medvedev.
No âmbito econômico, a relação econômica e comercial da Rússia e dos países latino-americanos poderia alcançar este ano US$ 15 bilhões, afirma a agência russa RIA Novosti.
“Durante a viagem de Medvedev está prevista a assinatura de importantes documentos que impulsionarão a cooperação nos mais diversos âmbitos”, declarou Sazónov.
O porta-voz russo lembrou o crescente lugar que ocupam no mercado russo as exportações de países como Brasil, Chile ou Argentina, assim como o interesse da Rússia por estes mercados.
“Para nós a América Latina é interessante também como zona de investimentos em áreas prioritárias, como as indústrias extratora e processadora, as infra-estrutura e a energética, incluída a nuclear”, afirmou.
Concretamente, durante a visita de Medvedev a Caracas se tratará do propósito da Venezuela de construir uma usina nuclear no noroeste do país.
Sazónov também citou a cada vez maior venda de armamento e cooperação militar.
A Venezuela, com contratos em andamento da ordem de US$ 4 bilhões, se transformou no principal cliente latino-americano da indústria militar russa, deixando para trás Nicarágua, Cuba e Peru, que receberam armas russas já no período soviético.
A cooperação militar entre Rússia e Venezuelana não se limita ao fornecimento de armas.
A visita de Medvedev à Venezuela coincide com as primeiras manobras que uma armada russa realizará no Caribe conjuntamente com navios venezuelanos e há algumas semanas bombardeiros estratégicos russos usam o país caribenho como base para seus exercícios na região.
Moscou também anunciou que posicionará provisoriamente aviões caça-submarinos em bases aéreas venezuelanas.
Há duas semanas, durante a visita a Moscou do chanceler cubano, Felipe Pérez Roque, Medvedev já deu por encerrado o vácuo nas relações bilaterais, provocado após a queda da União Soviética.
O grande interesse recíproco “nos dá a convicção de que desta vez voltamos para sempre”, declarou por último Sazónov.