O primeiro-ministro da Grécia, Lukas Papademos, disse nesta sexta-feira que a quebra de seu país “não é uma opção”, por isso que seu Governo, que enfrenta várias deserções, fará “todo o possível” para aprovar o acordo pactuado com a troika internacional para continuar recebendo ajuda financeira.
“Não podemos permitir a quebra do país. O novo programa de resgate é necessário para o cumprimento dos esforços que começaram há dois anos, para restabelecer a competitividade da economia grega e para sanear suas contas”, disse o ex-banqueiro, que lidera um executivo de união nacional.
Papademos fez estas declarações no começo do crucial conselho de ministros no qual se deverá aprovar o acordo sobre medidas de austeridade alcançado com a troika, composta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia.
A troika exige uma série de duras medidas de poupança, de gasto público e redução de salários que provocaram uma forte contestação social e nas últimas 24 horas a renúncia de um ministro e cinco vice-ministros do Governo.
Neste sentido, Papademos avisou que “a resistência do Governo está sendo posta a toda prova”, por isso advertiu “aqueles que não podem suportar a pressão”, em referência aos deputados que planejam votar contra o acordo, que eles “não têm lugar no Governo”.
Lembrou que o programa “é produto de uma árdua negociação” com a troika e entre os partidos que formam o Governo – social-democratas, conservadores e ultradireitistas – e “reflete as condições extremamente difíceis da situação na Grécia”.
“Com este programa, a Grécia receberá um empréstimo de 130 bilhões de euros, e lhe serão perdoados cerca de 100 bilhões de euros da dívida. Graças aos efeitos destes dois fatos combinados o país poderá retomar seu desenvolvimento e os sacrifícios dos que mais sofrem serão exonerados”, assegurou o primeiro-ministro.
O conselho de ministros deve dar hoje seu sinal verde ao acordo pactuado com a troika, que depois será apresentado ao Parlamento para sua adoção definitiva.
Após a deserção de vários deputados socialistas, democratas-cristãos e ultradireitistas, a grande maioria com que conta o Governo de união nacional no Parlamento se reduziu nas últimas horas, mas ainda alcança 200 dos 300 deputados da Assembleia.