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Premiê britânico lamenta ter contratado ex-diretor do "News of the World"

Arquivo Geral

20/07/2011 14h38

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, buscou nesta quarta-feira frear a onda de críticas contra seu Governo ao lamentar a contratação de Andy Coulson como chefe de imprensa, ex-diretor do tabloide “News of the World”, envolvido no escândalo de grampos ilegais que atinge o Reino Unido.

 

Em um debate inflamado na Câmara dos Comuns do Parlamento britânico, Cameron admitiu, pela primeira vez, que não teria contratado Andy Coulson como seu chefe de imprensa se antes soubesse o que sabe agora do escândalo, que já atinge jornalistas, políticos e policiais.

 

Diretor do “News of the World” entre 2003 e 2007, época em que o jornal fez uso das escutas ilegais para obter informações exclusivas, Coulson foi chefe de imprensa do primeiro-ministro até janeiro passado, quando renunciou devido ao início de uma nova investigação policial. Há duas semanas, foi preso e posteriormente libertado sob fiança por envolvimento no caso.

 

O primeiro-ministro, que fazia uma viagem por vários países africanos, antecipou nesta terça-feira à noite seu retorno ao Reino Unido para fazer essas declarações no Parlamento, que adiou o recesso de verão (no Hemisfério Norte) e se reuniu nesta quarta-feira com caráter de urgência.

 

“Diante da perspectiva atual, talvez não teria lhe oferecido o emprego e teria esperado que ele não o aceitasse”, assinalou Cameron. “Mas as decisões não se tomam assim, se tomam no momento presente. A pessoa vive e aprende e, acreditem, aprendi”.

 

Pela enésima vez, o premiê defendeu a contratação de Coulson e disse apoiar o argumento de que uma pessoa “é inocente até que se prove o contrário”, mas pediu que seu antigo chefe de imprensa seja processado caso se demonstre que esteve envolvido no escândalo das escutas.

 

“Foi minha decisão (contratá-lo)”, assumiu Cameron, que lamentou a enorme repercussão do caso, já que, nas últimas semanas, veio à tona o vazamento de celulares não só de ricos e famosos, mas de parentes de vítimas de crimes e de atentados terroristas.

 

Em resposta, o líder trabalhista na Câmara, Ed Miliband, qualificou de “decisão catastrófica” a contratação de Coulson, que foi detido no último dia 8 sob a suspeita de ter subornado policiais e grampeado comunicações durante sua época à frente do dominical, embora nesse mesmo dia tenha sido libertado pagando fiança.

 

Andy Coulson começou a trabalhar para Cameron em 2007, meses após renunciar como diretor do “News of the World” pela condenação de um dos jornalistas do periódico devido ao escândalo das escutas.

 

O caso eclodiu em 2006. Em 2007, houve duas prisões, mas o caso se recrudesceu há duas semanas após a divulgação de mais detalhes polêmicos, sobretudo o grampo do celular da menina Milly Dowler, assassinada em 2002, então com 13 anos de idade.

 

“Nas últimas duas semanas, uma corrente de revelações e alegações inundaram algumas das instituições mais importantes do país”, ressaltou Cameron, referindo-se à imprensa, à Polícia e ao cenário político.

 

“Os cidadãos querem que acabemos com essas práticas ilegais, garantamos a independência e eficácia da Polícia e estabeleçamos uma relação saudável entre os políticos e a imprensa”, apontou o chefe de Governo britânico.

 

No debate, o primeiro-ministro se defendeu da onda de perguntas sobre uma oferta da News International – proprietária do jornal “News of the World”, que deixou de circular há dez dias devido ao escândalo. A companhia manifestou interesse em assumir o controle total da rede televisiva “BSkyB”, o que ampliaria o poderio da empresa no Reino Unido.

 

A decisão final sobre a compra da emissora ficou a cargo do ministro da Cultura britânico, Jeremy Hunt, mas a empresa – pertencente ao magnata das comunicações Rupert Murdoch – desistiu da operação diante do agravamento do escândalo das escutas.

 

Cameron negou ter intervindo neste processo, mas em várias ocasiões, apesar de ser perguntado insistentemente pelos deputados, evitou esclarecer se tinha falado do assunto com diretores da News International.

 

“Nunca mantive conversas pouco apropriadas (sobre esta oferta)”, disse o premiê, que insistiu que, mais do que ele, seus antecessores no cargo – os trabalhistas Tony Blair e Gordon Brown – tinham uma relação mais próxima com o magnata Rupert Murdoch.

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