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Possibilidade de nova guerra comercial com China assusta produtores rurais dos EUA

Muitas das tarifas que a China impôs aos produtos agrícolas dos EUA durante a disputa comercial no primeiro mandato de Donald Trump ainda estão em vigor

Redação Jornal de Brasília

08/11/2024 22h09

Foto: Reuters

Nova York, 08 – Uma nova guerra comercial entre Estados Unidos e China poderia afetar novamente os agricultores norte-americanos. Muitas das tarifas que a China impôs aos produtos agrícolas dos EUA durante a disputa comercial no primeiro mandato de Donald Trump ainda estão em vigor – embora Pequim tenha concedido uma isenção que é renovada anualmente. No entanto, essas tarifas poderiam ser facilmente restabelecidas.

Se isso ocorresse, as exportações norte-americanas de soja para a China poderiam diminuir mais de 50% em relação aos níveis esperados, enquanto os embarques de milho poderiam cair 84%, de acordo com um relatório recente encomendado pela Associação Americana de Soja e a Associação Nacional dos Produtores de Milho.

Uma tarifa de 60% sobre esses produtos agrícolas – equivalente ao que Trump ameaçou para produtos chineses – poderia levar a uma perda de até US$ 7,3 bilhões em valor anual de produção, segundo o relatório.

Embora os EUA possam redirecionar algumas de suas exportações para outros países, não há demanda suficiente para compensar a perda esperada. O governo terá de compensar o setor agrícola novamente, como da última vez, ou ver prejuízos nas fazendas e perda de emprego no setor.

Uma guerra comercial não apenas reduziria o valor de produção dos agricultores americanos, mas também teria um efeito dominó na economia, especialmente em áreas rurais onde os produtores vivem e gastam seu dinheiro. Setores que podem ser fortemente afetados incluem manufatura e mineração, proteção de lavouras, fertilizantes, produtos de energia, bem como o setor imobiliário e de transporte, de acordo com o relatório da Associação Americana de Soja.

Tarifas sobre outros produtos importados também podem aumentar os preços de insumos para os agricultores dos EUA, num momento em que já enfrentam custos recordes devido à inflação.

Trump já ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre a fabricante de equipamentos agrícolas Deere, que anunciou em junho a transferência de parte de sua produção para o México. Após o comentário de Trump, a Deere afirmou que não está abandonando seu plano, de acordo com o Wall Street Journal.

Se uma disputa comercial se prolongasse, o impacto temporário poderia se transformar em uma mudança estrutural de longo prazo

A queda nas exportações para a China não só afetou os preços da soja e do milho dos EUA, mas também levou à redução da área de produção. Enquanto isso, Brasil e Argentina expandiram suas áreas de produção, que permanecerão em uso mesmo após um possível fim da guerra comercial sob Trump. “A América do Sul ganharia em todas as frentes às custas dos agricultores americanos e da economia dos EUA”, de acordo com o relatório.

Durante sua campanha, Trump declarou que implementaria tarifas de pelo menos 10% sobre produtos estrangeiros se fosse reeleito. As tarifas para certos produtos da China, que ele considera estar “explorando” os EUA há anos, poderiam chegar a 60%.

Em 2018, Trump impôs tarifas sobre mais de US$ 300 bilhões em importações chinesas, desencadeando uma guerra comercial entre Washington e Pequim. A China respondeu aplicando tarifas retaliatórias sobre bilhões de dólares em produtos americanos, especialmente agrícolas, como soja e milho.

A China é o maior mercado para as exportações americanas de soja e um importante comprador de milho. Quando Pequim passou a comprar de outros países produtores, como Brasil e Argentina, muitos agricultores americanos sofreram com a queda nas vendas.

Para ajudar produtores dos EUA na época, o governo Trump concedeu bilhões de dólares em subsídios ao setor agrícola, o que essencialmente compensou a maior parte da receita de tarifas arrecadada durante a guerra comercial com a China, de acordo com uma análise do Conselho de Relações Exteriores.

Embora o governo Trump tenha alcançado um acordo com a China em 2019, pedindo a Pequim que comprasse mais US$ 200 bilhões em produtos americanos, a China comprou apenas 83% do valor prometido em produtos agrícolas, segundo o Instituto Peterson de Economia Internacional. Fonte: Dow Jones Newswires

Estadão Conteúdo

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