O presidente da Portugal Telecom (PT), Zeinal Bava, assegurou hoje que, se seus acionistas rejeitarem em 30 de junho a oferta da espanhola Telefónica pela operadora brasileira Vivo, conseguirão maiores lucro no futuro.
Bava, quem discursou em uma conferência sobre o setor das telecomunicações, assegurou que haverá uma “melhoria da rentabilidade, devido à maior eficiência e escala do negócio” pelos planos da Vivo de fornecer, até 2011, banda larga de terceira geração em 85% dos municípios do Brasil.
A Portugal Telecom realizará em 30 de junho uma assembleia geral na qual seus acionistas se pronunciarão sobre a oferta de 6,5 bilhões de euros formulada pela Telefónica para assumir 30% da Vivo que controla a empresa lusa.
Bava sustentou que, se os acionistas votam contra da proposta da Telefónica, a estratégia de gestão da PT seguirá “intacta” e será a companhia espanhola a que “continuará na busca de uma solução estratégica para o Brasil”.
Para o presidente da PT, os acionistas da empresa têm duas opções: “lucrar com o investimento feito no Brasil”, ou seja aceitar a oferta da Telefónica, ou autorizar a Portugal Telecom a continuar “investindo” no país.
O diretor da PT opinou que a proposta de 6,5 bilhões de euros da Telefónica é “equivocada” e questionou “por que não leva em conta o último plano de negócios aprovado pela administração da Vivo”.
Telefónica aumentou há duas semanas sua oferta inicial de 5,7 bilhões de euros para assumir 100% de Brasilcel, a empresa com a qual a PT e Telefónica controlam juntas 60% da Vivo.
Bava acrescentou que a oferta da empresa espanhola não incorpora o valor da Dedic GPTI (subsidiária de “call center”), que “conta com um valor autônomo e não pode ser vista como uma extensão da Vivo”.
O executivo tachou de “pouco ambicioso” o cálculo da Telefónica que a integração da Vivo poderia gerar sinergias de 2,8 bilhões de euros e acusou a empresa espanhola de “continuar ignorando” o valor intrínseco da operadora brasileira.
Bava lembrou que a PT não desiludiu aos acionistas quando pediu apoio, há dois anos, diante da oferta pública de aquisição lançada por outra empresa portuguesa, Sonaecom, à qual respaldou Telefónica, e acrescentou que sua companhia é a operadora de telecomunicações com melhor comportamento na Europa.
Diante da assembleia do dia 30, o Banco Espírito Santo de Investimento (BESI, que tem 7,99% da PT) indicou que deve rejeitar a proposta da Telefónica.
José María Ricciardi, presidente do BESI, assegurou que “é fundamental que a PT não saia do Brasil”, em declarações a um jornal português.
Outro acionista luso de referência, o grupo Ongoing, que tem 6,74% da PT, também expressou sua oposição à operação e seu presidente, Nuno Vasconcelos, solicitou nesta semana que o Conselho de Administração da operadora portuguesa desse aos investidores uma “indicação clara” sobre a venda da Vivo.
Além desses acionistas e a própria Telefónica, que tem 8,51%, os principais partícipes da Portugal Telecom são o fundo americano Brandes Investment Partners (7,89%), o banco público luso Caixa Geral de Depósitos (7,30%) e o grupo britânico Barclays, que desde ontem volta a ter 2%.
Telefónica solicitou a PT na terça-feira que inclua na ordem do dia da assembleia geral de acionistas a votação de um dividendo extraordinário no caso da venda da Vivo ser aceita, o que ainda está em estudo pela comissão que preside essa reunião.
No entanto, os diretores da PT já anteciparam na semana passada que, em caso da venda da Vivo, o produto da operação pode não destinado a retribuir aos acionistas, mas para investimentos, recompra de títulos ou financiamento.