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Em vinte anos, os Estados Unidos caíram dez posições no ranking dos passaportes mais poderosos do mundo. O país já dividiu a liderança com Dinamarca e Finlândia, mas perdeu espaço ao longo das últimas duas décadas, segundo levantamento da consultoria Henley & Partners.
Um passaporte é considerado mais “poderoso” quanto maior for o número de países e territórios que seu titular pode visitar sem precisar solicitar um visto antes da viagem. Lançado em 2006, o Henley Passport Index acompanha há duas décadas a evolução da liberdade de viagem ao redor do mundo. Com base em dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), o estudo mostra quantos destinos podem ser visitados sem a necessidade de visto prévio e é considerado um dos principais indicadores de mobilidade internacional.
Segundo a consultoria, a força de um passaporte depende principalmente de acordos de isenção de visto e da reciprocidade entre os países. Nos últimos anos, os Estados Unidos avançaram pouco nesse aspecto, o que explica a queda.
Em paralelo, outras nações ampliaram seus acordos internacionais e ganharam posições no ranking. De acordo com o presidente da Henley & Partners, Christian H. Kaelin, a mudança vai além de uma simples alteração na classificação.
“O declínio da força do passaporte norte-americano na última década é mais do que uma simples mudança de ranking. Sinaliza uma mudança fundamental na mobilidade global e na dinâmica do soft power”, disse Christian H. Kaelin, em comunicado divulgado pela Henley.
Na prática, isso significa que diversos países firmaram mais acordos de isenção de vistos e ampliaram a liberdade de circulação de seus cidadãos. Já o conceito de soft power refere-se à capacidade de um país exercer influência por meio da diplomacia, do prestígio internacional, da confiança em suas instituições, entre outros fatores.
Para a Henley, a perda de posições dos Estados Unidos reflete justamente essa mudança no equilíbrio geopolítico. Enquanto novas potências ampliam sua presença diplomática e fecham mais acordos de mobilidade, os EUA vêm perdendo protagonismo nesse aspecto.
A avaliação é compartilhada por Annie Pforzheimer, pesquisadora sênior do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), em Washington. Segundo ela, o país já vinha adotando uma postura mais voltada para dentro nos últimos anos e está “colhendo os frutos” atualmente. “Essa mentalidade isolacionista agora se reflete na perda de poder dos passaportes norte-americanos”, afirmou, em comunicado divulgado pela Henley.
Embora ocupe a décima posição, os Estados Unidos ganharam duas colocações em relação à lista divulgada em outubro de 2025. Ainda assim, perderam o posto de passaporte mais forte das Américas para o Canadá, que aparece em sétimo lugar.
A Henley também destaca a falta de reciprocidade adotada pelos EUA. Um dos exemplos é o Brasil, que encerrou a isenção unilateral de vistos para cidadãos norte-americanos em abril de 2025.
Em contrapartida, países da Ásia e da Europa registraram um avanço significativo no ranking. “Os passaportes mais fortes do mundo pertencem a nações que outros países desejam como parceiras, seja para comércio, investimento, segurança ou cooperação”, destaca Kaelin.
COMO ESTÁ O RANKING ATUALIZADO?
A edição de julho de 2026 coloca Singapura na liderança. Os cidadãos do país podem viajar para 192 destinos sem necessidade de visto prévio, o maior número do mundo.
Na segunda posição aparecem Japão, Emirados Árabes Unidos e Coreia do Sul, com acesso a 188 destinos. Segundo a Henley, há uma forte relação entre paz e liberdade de viagem.
A tendência se repete ao longo do ranking. A Suécia ocupa o terceiro lugar, com acesso a 187 destinos.
Em seguida, um grupo de países europeus divide a quarta posição, com 186 destinos: Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega e Espanha.
E O BRASIL?
Na América do Sul, o Chile lidera o ranking regional, com acesso a 174 destinos. Brasil e Argentina aparecem logo em seguida, empatados na 16ª posição mundial, com acesso a 169 destinos sem necessidade de visto prévio.
O passaporte brasileiro é considerado um dos mais fortes da América Latina. Na prática, brasileiros podem viajar sem visto prévio para todos os países da América do Sul, grande parte da Europa em viagens de turismo e por tempo limitado, além de diversos destinos na Ásia.
RANKING DOS PASSAPORTES MAIS PODEROSOS DO MUNDO
- Singapura – 192 destinos
- Japão, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos – 188
- Suécia – 187
- Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega e Espanha – 186
- Áustria, Grécia, Malta, Portugal e Suíça – 185
- Hungria, Polônia e Reino Unido – 184
- Austrália, Canadá, República Tcheca, Letônia, Malásia, Nova Zelândia, Eslováquia e Eslovênia – 183
- Croácia e Estônia – 182
- Liechtenstein e Lituânia – 181
- Islândia e Estados Unidos – 180
- Bulgária e Romênia – 178
- Mônaco – 177
- Chipre – 175
- Chile e Hong Kong – 174
- Andorra – 170
- Brasil e Argentina – 169