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Ao menos 550 detidos em manifestações de 1º de Maio na Turquia

Protestos do Dia do Trabalho na Turquia reúnem trabalhadores e opositores em meio a inflação alta e tensão política

Redação Jornal de Brasília

01/05/2026 8h10

polícia turca detém dezenas de manifestantes

Foto: ERK OZKAN / AFP

Milhares de pessoas participaram nesta sexta-feira (1º) das manifestações de Primeiro de Maio na Turquia, apesar de um forte dispositivo policial em Ancara, a capital, e em Istambul, onde pelo menos 550 foram detidas.

Segundo a associação de advogados ÇHD, no meio da tarde, “o número de pessoas sob custódia, ou cujos familiares suspeitam que estão sob custódia porque nada se sabe sobre elas, é de pelo menos 550” em Istambul.

O objetivo, segundo a entidade, seria impedir que chegassem à emblemática Praça Taksim, fechada a concentrações desde a onda de manifestações antigovernamentais de 2013.

Um dirigente sindical, Basaran Aksu, foi detido após denunciar o bloqueio. “Não se pode fechar uma praça aos trabalhadores da Turquia. Todos utilizam a Taksim para cerimônias oficiais, para celebrações. Só aos operários, aos trabalhadores, aos pobres é que se fecha a praça”, afirmou.

Em imagens divulgadas pelo canal da oposição HALK TV vê-se o presidente do Partido dos Trabalhadores da Turquia, Erkan Bas, sob uma chuva de gás de pimenta. “O poder já fala 365 dias por ano, por isso deixem que os trabalhadores falem das dificuldades que vivem pelo menos um dia por ano”, criticou.

Os sindicatos e as associações convocaram manifestações sob o lema “Pão, paz, liberdade”.

A inflação oficial supera os 30% ou mesmo os 40% em Istambul, segundo a Câmara de Comércio, e as autoridades realizam regularmente ondas de detenções entre opositores e jornalistas. Nesta semana, dezenas de pessoas foram detidas.

Em Ancara, aproximadamente cem garimpeiros que estiveram nove dias em greve de fome para exigir o pagamento de salários atrasados foram chamados a juntar-se à marcha, constatou uma jornalista da AFP.

Em Istambul, uma manifestação autorizada na margem asiática do Bósforo, convocada pelas confederações sindicais, reuniu pacificamente milhares de pessoas, segundo um jornalista da AFP.


Agence France-Presse

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