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Mundo

Polícia italiana prende 300 em operação contra máfia

Arquivo Geral

13/07/2010 18h26

A Polícia italiana prendeu hoje 300 pessoas supostamente vinculadas à máfia da região da Calábria, conhecida como ‘Ndrangheta, a mais poderosa e sanguinária das organizações criminosas do país.

Entre os detidos, está o membro considerado número um do grupo, Domenico Oppedisano.

O líder mafioso, de 80 anos, está na longa lista dos detidos em uma operação policial – a de maior magnitude deste tipo nos últimos anos – realizada hoje por 3 mil agentes das forças da ordem italiana na sulina região da Calábria e no norte da Itália, sobretudo na Lombardia.

Os presos durante a operação policial, coordenada pelas procuradorias antimáfia de Milão e de Reggio Calabria, deverão agora responder a, entre outras acusações, as de associação mafiosa, tráfico de armas e drogas, homicídio e extorsão.

Durante a investigação, as autoridades italianas extraíram numerosas atividades ilícitas da organização criminosa na Calábria, assim como infiltrações no norte do país, onde consideram que a ‘Ndrangheta expandia seus interesses a vários setores econômicos.

Segundo os investigadores, na cidade de Reggio Calabria existia uma “direção estratégica” do grupo mafioso, da qual provinham as ordens que depois eram distribuídas pela província sulina, mas também pelo norte da Itália e inclusive enviadas ao exterior, da América à Austrália.

“Trata-se da maior operação dos últimos anos contra a ‘Ndrangheta, que hoje golpeou o coração de seu sistema criminoso”, afirmou o ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, em comunicado à imprensa.

Ele acrescenta que “os excelentes resultados obtidos nestes últimos meses contra a máfia são fruto de uma constante e eficaz obra de coordenação entre as forças da Polícia e da magistratura, todas comprometidas de modo extraordinário com a ação de luta contra o crime organizado”.

Entre os detidos desta megaoperação está Pino Neri, considerado chefe da ‘Ndrangheta na Lombardia, mas a captura mais importante é a de Oppedisano, o “chefe dos chefes” da máfia na região.

Também foram detidos quatro agentes dos Carabinieri (Polícia Militar) e alguns empresários e políticos municipais e regionais. O juiz que dispôs as detenções, Giuseppe Gennari, define as categorias como “próximas ao grupo e implicadas em uma relação sistemática de interesses compartilhados”.

A investigação que levou às prisões de hoje, na qual as escutas telefônicas foram chave, começou com o homicídio de Carmelo Novella, um antigo chefe da ‘Ndrangheta, que foi assassinado em 14 de julho de 2008, em um bar de San Vittore Olona (norte da Itália), por ter tido uma atitude “excessivamente autonomista”.

No sumário da investigação, na qual são documentadas cerca de 40 reuniões do grupo criminoso sem a ajuda de mafiosos arrependidos, as autoridades italianas incluíram duas gravações de vídeo próprias dos filmes sobre este tipo de crime organizado.

Segundo os investigadores, a ‘Ndrangheta, que também teve confiscados hoje bens móveis e imóveis avaliados em vários milhões de euros, copiou a estrutura organizativa hierárquica da máfia italiana mais popular, a siciliana Cosa Nostra, para formar assim uma organização “unitária”.

Após um lento processo evolutivo, a máfia da Calábria é capaz atualmente de coordenar suas atividades criminosas, sobretudo em setores como o narcotráfico internacional e a participação nos concursos públicos da administração do Estado.

“Os presos, os gravíssimos crimes, os ambientes profissionais, empresariais e políticos implicados são um claro exemplo do que é hoje a dimensão não só criminosa, mas também econômica, social e política das máfias” na Itália, comentou o presidente da comissão antimáfia do Parlamento italiano, Giuseppe Pisanu.

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