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Polícia de Israel liberta colono acusado de matar palestino que colaborou com filme do Oscar, diz jornal

Consultor do documentário vencedor do Oscar “Sem Chão” (“No Other Land”, em inglês), Hathaleen foi baleado e morto por Yinon Levi, o colono agora solto, na Cisjordânia ocupada na segunda (28), segundo afirmaram à agência de notícias Reuters cinco pessoas que disseram ter testemunhado o ataque

Redação Jornal de Brasília

01/08/2025 19h53

Foto: HAZEM BADER / AFP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A polícia de Israel libertou o colono israelense acusado de matar o ativista e jornalista palestino Owdeh Hathaleen, enquanto continua se recusando a entregar o corpo da vítima à família para realização do funeral. As informações foram publicadas nesta quinta-feira (31) pelo jornal britânico The Guardian.

Consultor do documentário vencedor do Oscar “Sem Chão” (“No Other Land”, em inglês), Hathaleen foi baleado e morto por Yinon Levi, o colono agora solto, na Cisjordânia ocupada na segunda (28), segundo afirmaram à agência de notícias Reuters cinco pessoas que disseram ter testemunhado o ataque.

Segundo a reportagem do Guardian, Levi foi liberado da custódia por um tribunal na terça (29) e colocado em prisão domiciliar por três dias, prazo que termina nesta sexta (1º), quando ele poderá voltar a circular livremente. Segundo o advogado do colono, a corte considerou que havia provas que sustentavam suas alegações de legítima defesa e, assim, determinou a libertação.

Alaa Hathaleen, primo da vítima, filmou o caso com seu telefone. Ele disse que Owdeh “estava longe e não estava fazendo nada” no momento em que foi baleado. A gravação mostra uma discussão acalorada entre um grupo de pessoas que gritam em árabe e um homem que segura uma arma. Este, então, dispara para o ar e em direção à multidão. Gritos são ouvidos e pessoas podem ser vistas correndo.

O Exército israelense disse em comunicado divulgado na terça que “terroristas atiraram pedras contra civis israelenses perto de Carmel”, um assentamento próximo à vila de Umm al-Khair.

Os militares afirmaram ainda que um civil armado reagiu atirando contra aqueles que jogavam pedras. Disseram também que o Exército estava ciente de relatos de pessoas feridas.

“É devastador. O corpo dele [Owdeh] continua detido, e o assassino está livre. A mãe e a esposa dele continuam perguntando onde ele está e quando o corpo vai voltar. Não tenho mais respostas. Digo a eles que será em duas horas, mas não sei”, disse Salem Hathaleen, irmão mais velho da vítima, ao Guardian.

Ainda segundo a publicação britânica, um advogado disse que a polícia não liberaria o corpo de Owdeh até que sua família concordasse com dez condições, incluindo limitar o funeral a 15 pessoas e enterrá-lo fora de sua aldeia natal.

Mas a família recusou as condições. “Quinze pessoas -isso significa que nem todos os filhos e irmãos poderiam comparecer [ao funeral]”, disse Salem. Esse tipo de restrição, que tem o objetivo de impedir que funerais se tornem manifestações, é frequentemente imposta pelas autoridades militares israelenses, que controlam a Cisjordânia ocupada.

Os palestinos que vivem no território estão sujeitos à lei militar israelense. Os colonos, entretanto, respondem à lei civil -uma distinção que é apontada por grupos de direitos humanos para afirmar que Israel comete apartheid.

Levi, que já havia sido alvo de sanções impostas pelo então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e posteriormente removido da lista pelo governo de Donald Trump, pode ainda enfrentar acusações formais, embora nada tenha sido anunciado até o momento.

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