A Polícia chinesa matou 20 uigures durante um protesto para exigir notícias sobre jovens desaparecidos na cidade de Hotan, na região muçulmana chinesa de Xinjiang, informaram nesta terça-feira à Agência Efe grupos dessa étnica no exílio, embora o Governo chinês afirmou que o caso foi causado por “atentado terrorista”.
“A Polícia matou na segunda-feira em Hotan 20 pessoas, feriu a um número indeterminado delas e deteve a outras 13”, assinalou a Efe a partir da Suécia em uma conversa telefônica Dilxat Raxit, porta-voz do grupo com sede na Alemanha Congresso Mundial Uigur (WUC, na sigla em inglês).
Raxit assinalou que seis morreram por disparos e os outros 14 por causa dos golpes feitos pelas forças de segurança chinesas.
Segundo a versão oficial do Ministério da Segurança Pública, um policial, um guarda de segurança e dois reféns foram assassinados na véspera em um “ataque terrorista” a uma delegacia de Hotan (Hetian, em chinês), no sudoeste da região autônoma de Xinjiang.
No entanto, a versão dos uigures a partir do exílio, que citam “fontes ligadas dentro da região de Xinjiang”, afirmam que não foi um ato terrorista, “mas uma repressão armada” das forças de segurança chinesas.
Raxit explicou que o conflito explodiu quando um grupo de uigures reuniu-se na véspera no bazar de Hotan, próximo à delegacia, para protestar em frente ao Governo municipal pelo “desaparecimento de jovens” de sua etnia.
Depois, os manifestantes entraram na delegacia para exigir notícias dos jovens desaparecidos, afirmou a fonte, e então as forças de segurança responderam com disparos e golpes, detalhou Raxit.
Outro motivo da queixa diz respeito às ajudas de Pequim aos colonos de etnia chinesa han, majoritária no país asiático, para que se beneficiem da alocação de terras e negócios na região, em detrimento da etnia local, muçulmano e de língua altaica (similar ao turco).
Depois do enfrentamento, que ocorreu às 10h no horário local de segunda-feira, e “da tarde até a noite, a Polícia deteve 70 uigures em uma operação que ainda continua”, acrescentou o porta-voz do WUC.
Este novo conflito entre a etnia local e os soldados e os colonos chineses ocorre dois anos após outro de maior gravidade que ocasionou mais de 200 mortos e 1,7 mil feridos na capital regional, Urumqi, segundo a apuração oficial chinês.
Os uigures representam oito milhões do total de 20 milhões que povoam a região muçulmana.