O plebiscito constitucional terminou hoje na Moldávia deixando aberta a possibilidade de que a baixa participação invalide a consulta, destinada a escolher o presidente do país por votação direta para encerrar uma longa crise política.
Após o fechamento dos colégios eleitorais às 21h local (15h de Brasília), a Comissão Eleitoral Central (CEC) informou apenas que, às 18h45 local (10h45 de Brasília), a participação havia sido de 25% da população eleitoral.
Recentes emendas eleitorais reduziram de 60% para um terço dos eleitores a participação necessária para validar a consulta. Além disso, para que a Constituição seja modificada no plebiscito de hoje, basta que metade dos votantes assim o queiram.
Segundo uma pesquisa a boca-de-urna efetuada por uma emissora televisiva, 89,2% dos eleitores se pronunciaram a favor da eleição presidencial direta, enquanto os outros 10,8% votaram contra. Mas tudo dependerá da participação nas urnas, que necessista superar 33,33% da população eleitoral.
A governista Aliança para a Integração Europeia (AIE), que tirou os comunistas do poder no pleito de julho de 2009, convocou a consulta popular devido à incapacidade do Parlamento de escolher o presidente já faz um ano, em razão do boicote comunista.
A AIE esperava obter nesta consulta o apoio adicional dos trabalhadores residentes no exterior, pois a CEC abriu 78 novas mesas de votação em vários países europeus onde residem centenas de milhares de emigrantes moldávios.
Os quatro antigos partidos opositores unidos na AIE pediram aos moldávios que aprovem a mudança constitucional em prol da democracia e da integração europeia, para tirar o país da crise institucional que impede seu desenvolvimento.
Os comunistas, que governaram entre 2001 e 2009, por sua vez, convocaram um boicote à consulta popular, ao denunciar que a AIE se dispõe a falsificar seus resultados para se perpetuar no poder na Moldávia, pequeno e pobre país entre a Romênia e a Ucrânia.
O ex-presidente e líder comunista moldávio Vladimir Voronin, denunciou que o objetivo da AIE é promover a reunificação com a Romênia – com a qual Moldávia compartilha história e idioma -, romper laços com a comunidade pós-soviética e entregar o país à Otan.
Segundo o analista político moldávio Igor Botam, o provável fracasso do plebiscito ameaça prolongar indefinidamente a crise política no país, pois a AIE não poderá convocar uma nova consulta sobre o mesmo assunto até dentro de dois anos.
Se a consulta fracassar e a AIE não conseguir dissolver a Câmara, a Moldávia corre o risco de seguir com um presidente interino, um Parlamento dividido e incapaz de tomas decisões e um Governo limitado pela oposição comunista. Segundo a CEC, os resultados do plebiscito, supervisionado por 250 observadores moldávios e estrangeiros, serão divulgados amanhã e aprovados pelo Tribunal Constitucional em dez dias.