São Paulo, 20 – O petróleo fechou em queda nesta terça-feira, 20, operando com certa volatilidade diante da possibilidade de avanço por um acordo no Oriente Médio, apesar de novos bombardeios na região. Os riscos de oferta permanecem no radar, enquanto o mercado também acompanha o conflito entre Rússia e Ucrânia.
Negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o petróleo Brent para dezembro fechou em queda de 0,69% (US$ 0,76), a US$ 108,79 o barril. Já o petróleo WTI para o mesmo mês caiu de 0,73% (US$ 0,72), a US$ 97,82 o barril, na Nymex.
Os preços avançaram pela manhã, em reação aos novos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio – como os ataques dos houthis contra alvos energéticos, aeroportuários e militares na Arábia Saudita e o anúncio do Irã de que dois petroleiros atingiram minas navais instaladas no Estreito de Ormuz, segundo a High Frequency Economics. Diante do cenário, o valor do Brent chegou a se aproximar da máxima em cinco meses.
No entanto, a commodity inverteu sinal e passou a cair ainda durante a manhã, diante de possíveis avanços diplomáticos entre os Estados Unidos e o Irã divulgados pelo jornal israelense N12. Especialistas da Mizuho Securities USA explicam que este tipo de volatilidade é o que acontece “quando eventos geopolíticos se acumulam”, destacando que não veem justificativa para a queda: “não vejo ninguém propondo um acordo de paz. Não vejo nenhum evento geopolítico bearish”.
Diante de temores com a oferta, a Agência Internacional de Energia (AIE) pode realizar novas liberações emergenciais de petróleo, caso seja necessário, segundo publicou a Reuters. O Commerzbank destaca que o fornecimento de petróleo da região do Golfo caiu “significativamente” na última semana pelo aumento dos ataques iranianos a petroleiros e navios comerciais.
Ainda segundo o banco, a tentativa dos EUA de diminuir os preços da commodity aliviando sanções contra a Rússia não funcionou, já que a capacidade dos russos de aumentarem o fornecimento de diesel “é limitada em vista da retomada dos ataques ucranianos às refinarias de petróleo russas”.
Estadão Conteúdo