Menu
Mundo

Petro reage com saudação nazista a texto que defende candidatura de Espriella

Presidente colombiano publicou expressão associada ao regime de Adolf Hitler ao comentar artigo favorável a Abelardo de la Espriella

Redação Jornal de Brasília

08/06/2026 12h45

Foto: PRESIDENCIA COLOMBIA / AFP

Foto: PRESIDENCIA COLOMBIA / AFP

DANIELA ARCANJO
FOLHAPRESS

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reagiu neste domingo (7) com uma saudação nazista ao criticar um artigo de opinião que defende a candidatura do ultradireitista Abelardo de la Espriella, advesário de seu apadrinhado nas eleições deste ano, Iván Cepeda.

“Heil Hitler”, escreveu o líder ao compartilhar o texto do advogado e diplomata Felipe Zuleta Lleras publicado no jornal El Espectador. A expressão, que significa “Salve, Hitler”, foi adotada como cumprimento público na Alemanha nazista para enaltecer o ditador.

A reação é condizente com suas últimas publicações, cujos alvos têm sido Espriella e a imprensa colombiana. “Quem abriu caminho para o fascismo não foi o presidente, mas sim a imprensa, repleta de ódio de classe”, havia afirmado horas antes, ao compartilhar um texto que o responsabiliza pela possível ascensão da ultradireita.

Contrariando pesquisas, Espriella venceu o primeiro turno, no final de maio, com 43,78% dos votos válidos, ante 40,98% de Cepeda. A rodada final será no dia 21 de junho, em pleno mundial.

Após publicar a saudação nazista, o presidente voltou a atacar o jornalista com um texto de 12 parágrafos em que faz uma projeção do que seria a Colômbia presidida por Espriella.

“Esse velho liberal, que se dizia gay e livre, chama os jovens de vândalos e passou de liberal a fascista”, afirma em referência a Lleras. “E algum jovem hoje, chamado de vândalo pelo velho jornalista sensacionalista (…) -talvez seja um filósofo, e seu pai terá sido assassinado por fascistas-, (…) voltará a ser presidente, e a Colômbia voltará a sonhar depois de dez ou vinte anos de solidão, porque terão dizimado a geração que queria uma segunda chance na Terra.”

Ambas as publicações não surpreendem vindas da conta de Petro, que parece usar a plataforma para desaguar pensatas, sem uma lógica clara elaborada a partir de uma equipe de comunicação, como costuma ocorrer com chefes de Estado.

A publicação em referência a Hitler teve repercussão imediata, como era de se esperar. O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, disse também no X esperar um pedido de desculpas.

“Presidente da Colômbia, Gustavo Petro, mesmo na situação em que você se encontra, há linhas que não se cruzam. O uso de símbolos nazistas é um baixo nível do qual não há retorno”, afirmou. “Espero que você consiga se recompor e se desculpar até a próxima quarta-feira, quando você deve conduzir o debate no Conselho de Segurança da ONU.”

A controvérsia ocorre dois dias após outra publicação de Petro ser considerada racista. “Dignidade ou nostalgia por nobres escravistas”, escreveu o presidente acima de uma montagem que mostra duas fotos com Yerry Mina, jogador de futebol da seleção da Colômbia. Na de cima, Mina, que é negro, é cumprimentado pelo atual presidente; na de baixo, o ex-presidente de direita Álvaro Uribe, montado em um cavalo, passa a mão na cabeça do esportista.

A postagem ocorreu após o líder se encontrar com a equipe de futebol na quinta-feira passada (4), em uma cerimônia de despedida antes da Copa do Mundo, que começa na próxima quinta (11). Na ocasião, viralizou uma cena em que Antonella Petro, filha do presidente, pede, visivelmente emocionada, uma foto com o também jogador James Rodríguez, que não responde ou não ouve a adolescente.

O episódio tomou redes sociais e programas de notícias na Colômbia, coroando um evento que já estava contaminado pela política. Dias antes do segundo turno e em meio a disputas políticas em torno da camiseta da seleção colombiana, adotada como símbolo por Espriella, o encontro transcorreu de forma fria.

Antonella, que sonha em ser jogadora de futebol, afirmou posteriormente em um vídeo que James, capitão da equipe colombiana, é seu ídolo: “Quando te vi chegando, meus olhos brilharam. Você é meu ídolo, meu modelo. Você é a razão pela qual comecei a jogar futebol. E quando você apertou minha mão, lá no fundo, mesmo que não parecesse por fora, eu me emocionei um pouco”.

Ela ainda pediu “apoio unânime” à seleção e falou para que todos deixassem as diferenças de lado para o torneio -pedido que James parece ter acatado.

“Antonella, essa foto vai acontecer! Além disso, conte com a minha camiseta, como a envio para você? Obrigada pelo seu apoio a mim e a todos os meus companheiros de equipe, tudo tem seu momento e agora é a hora de estarmos unidos pela nossa Seleção na Copa do Mundo”, afirmou o capitão em resposta em uma mensagem privada à adolescente.

Petro, por sua vez, respondeu com um texto de 11 parágrafos no X, citando Maradona, dialética filosófica e Jesus. “Obrigado, James. Acima de tudo, a união da Colômbia e a paz”, afirmou, para em seguida dizer: “Você me cumprimentou por protocolo, e eu não gosto de protocolo. E sim, você já conhecia minha filha, pois eu a apresentei a você quando ela era pequena, na época em que eu era prefeito de Bogotá. Sinto muito que você tenha esquecido, porque ela o adorava”.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado