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Peruana se diz "inocente" das acusações por suposta espionagem

Arquivo Geral

01/07/2010 14h30

A jornalista peruana Vicky Peláez expressou sua “total inocência” a respeito das acusações da Justiça americana contra ela, seu marido e outras nove pessoas por suposta espionagem a favor da Rússia, disse hoje à agência Efe seu advogado, Carlos Moreno.

“Vicky diz que essas acusações são uma autêntica ficção científica e que não tem nada a ver com isso. Ela pensa que a motivação para a acusação vem de sua coluna e pelas posições antiamericanos que assume nelas”, precisou Moreno, defensor da jornalista, colunista do jornal nova-iorquino em espanhol “El Diario/La Prensa”.

Peláez e seu marido Juan Lázaro, de origem peruana e uruguaia, respectivamente, e naturalizados americanos, foram presos da mesma forma que outras nove pessoas no domingo em Nova York e outros lugares do país por pertencer a uma suposta rede de espionagem a favor de Moscou.

Todos eles são acusados de lavagem de capitais e de conspiração para atuar como agentes de um Governo estrangeiro sem informar ao Departamento de Justiça, mas não têm acusações por espionagem nem por terem obtido material classificado deste país.

Esses delitos constituem penas máximas de 20 e de cinco anos de prisão, respectivamente.

O advogado de Peláez indicou que, após falar durante uma hora com a jornalista ontem, ela “negou categoricamente os fatos pelos quais é acusada, como ter feito lavagem de dinheiro e ter se reunido com representantes do Governo russo”.

 

“Ela não tem ideia de como inventaram isto. A única explicação que encontra é sua coluna política”, disse Carlos Moreno, que também afirmou que inicialmente tanto Peláez como seu marido tinham designado advogados de ofício.

A Justiça americana fixou para as 15h de hoje (17h, Brasília) uma audiência em um tribunal federal de Nova York para que sejam lidas as acusações contra Peláez, Lázaro e os outros presos na área de Nova York e Nova Jersey, enquanto audiências similares devem acontecer em outras cortes de Boston (Massachusetts) e Virgínia.

 

Também será determinado se os dez acusados nos EUA têm direito a ficar em liberdade pagando uma fiança. O 11º acusado, Christopher Metsos, foi preso no aeroporto de Larnaca (Chipre) e posteriormente posto em liberdade, e agora está em paradeiro desconhecido.

“Ainda não se fixou a fiança, mas pela magnitude do caso poderia estar em um mínimo de US$ 250 mil”, disse Moreno à Efe, que também assinalou que em casos similares pelo nível da acusação as fianças começam em US$ 500 mil.

O defensor lembrou que o caso ainda se encontra em nível de instrução e que na fase seguinte a promotoria e a acusação, que é do FBI, terão que apresentar as fotos, vídeos e outras provas que tenham contra dos acusados.

“No FBI são especialistas em criar provas com aparência de evidências, e nesta etapa não têm que expor os detalhes. Por enquanto são só alegações”, acrescentou.

Moreno faz parte do “Comitê de Defesa de Vicky Peláez”, integrado por ativistas hispânicos, e que emitiu um comunicado no qual dizem que a detenção desta jornalista peruana e seu marido é um caso de perseguição política e “declara seu apoio incondicional a uma mulher que por mais de 20 anos demonstrou ser íntegra, leal a seus princípios e tenaz na perseguição da verdade”.

A prisão da jornalista peruana e seu marido, um professor universitário, ambos muito conhecidos na comunidade hispânica por suas posições esquerdistas e por criticar as políticas do Governo americano com sua a América Latina impactou muitos de seus membros.

O presidente do Peru, Alan García, afirmou hoje que seu Governo estará atento ao cumprimento das leis e que “não se viole o devido processo” judicial contra Peláez.

O Consulado Geral do Peru nos Estados Unidos estará atento para que a jornalista, “que tem nacionalidade peruana, apesar de exercer a norte-americana agora”, como disse García, “seja julgada de acordo com o legítimo e devido processo”, acrescentou o chefe de Estado.

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