No próximo ano o Governo entregará indenizações individuais a vítimas do terrorismo em um total de 20 milhões de sóis (US$ 7 milhões), anunciou hoje o presidente do Conselho de Ministros, Javier Velásquez Quesquén.
Em entrevista coletiva, o chefe do gabinete explicou que esse montante será obtido depois de “reformular as metas das indenizações coletivas”, no caso de não existirem mais recursos disponíveis no orçamento nacional.
O atual Governo de Alan García, que termina seu mandato no próximo ano, destinou 155 milhões de sóis (US$ 55 milhões) para as indenizações coletivas de 1.343 comunidades afetadas pela violência terrorista entre 1980 e 2000.
Quesquén ressaltou que não quer deixar “obrigações” pendentes ao próximo Governo, que assume em julho de 2011.
O primeiro-ministro disse que os beneficiados pelas indenizações individuais poderiam ser incorporados ao programa social “Juntos” e receber 100 sóis (US$ 30) mensais vitalícios, no caso de terem mais de 70 anos.
Além disso, adiantou que outra das opções é entregar bolsas de estudos universitárias e filiar os beneficiados ao sistema universal de saúde, recentemente promulgado pelo Executivo.
Quesquén acrescentou que informará amanhã quem integrará a Comissão Técnica Multisectorial, que se encarregará de desenhar os procedimentos e modalidades de pagamento às vítimas do terrorismo.
O anúncio oficial foi feito dois dias depois que centenas de vítimas do terrorismo, procedentes da região Ayacucho especialmente, marcharam em Lima para exigir que o Governo cumpra com o pagamento das indenizações individuais.
“Trinta anos de espera é demais, não podemos seguir vendo como nossos irmãos morrem sem ter conseguido justiça”, disse a secretária de organização da Coordenadoria Nacional de Vítimas da Violência Política do Peru (Conavip), Doris Caqui, depois de se reunir com o presidente do Congresso, Luis Alva Castro, junto a delegados de vítimas de 15 regiões do país.
Os futuros beneficiados pelas indenizações devem ser vítimas ou familiares de mortos, desaparecidos ou pessoas que tenham sofrido estupros ou tenham ficado incapacitadas durante a guerra interna.
Até o momento, 76.382 pessoas estão inscritas no Registro Único de Vítimas, mas nem todas elas serão beneficiadas, destacou a coordenadora de Avaliação do Conselho de Indenizações, Susana Cori.