Pequim anunciou nesta quinta-feira a substituição do principal líder do Partido Comunista da China (PCCh) na região tibetana, Zhang Qingli, articulador da violenta repressão aos protestos registrados em Lhasa em 2008, informou a agência estatal de notícias “Xinhua”.
Zhang, que foi nomeado secretário do PCCh em 2006 após ter aplicado uma política semelhante em Xinjiang, onde a etnia local uigur diz estar reprimida, será transferido a um posto ainda não especificado, acrescentou a agência sem detalhar os motivos da destituição.
O secretário será substituído por Chen Quanguo, responsável pela província de Hebei, que fica na fronteira com Pequim e é uma das mais pobres da segunda maior potência econômica mundial.
Lhasa viveu seus piores protestos em 2008, quando monges e civis tibetanos começaram a atacar colonos e lojas chinesas, sendo acusados de ficar com os lucros do desenvolvimento da região. Estes distúrbios étnicos deixaram 21 civis mortos, segundo o cálculo oficial.
No entanto, tibetanos exilados alegam que na repressão militar morreram cerca de 200 de seus conterrâneos, e outras centenas de membros desta etnia foram detidos e presos de forma arbitrária.
Zhang foi o responsável por dar a ordem de atacar e reprimir os manifestantes – aos quais acusou de serem separatistas organizados pelo Dalai Lama, líder religioso tibetano exilado na Índia -, e desde então a região esteve fechada ao exterior.
Segundo analistas internacionais e grupos de direitos humanos, uma prova do fracasso das políticas étnicas do PCCh são os contínuos distúrbios registrados no Tibete, em Xinjiang e, nos últimos meses, na Mongólia Interior, regiões que desfrutavam de independência e autonomia até que foram anexadas à China.