Menu
Mundo

Pedro Sánchez emerge de confronto com Trump como estrela mundial da esquerda

Redação Jornal de Brasília

16/04/2026 10h12

Foto: JAVIER SORIANO / AFP

Foto: JAVIER SORIANO / AFP

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, recebe esta semana uma cúpula de progressistas de todo o mundo, entre eles o presidente Lula, desfrutando de uma maior influência global.

Confrontos com o presidente americano, críticas a Israel e a defesa da imigração distinguiram Sánchez em uma Europa que há anos se inclina à direita.

O último episódio foi sua firme oposição à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o que levou Donald Trump a ameaçar a Espanha com represálias comerciais.

Sánchez destoou da Otan no ano passado ao recusar a exigência de Trump de aumentar os gastos com defesa até 5% do PIB. Foi o líder ocidental de maior perfil a qualificar de “genocídio” a guerra de dois anos de Israel contra o Hamas em Gaza.

Para Ignacio Molina, diretor de pesquisas no Real Instituto Elcano de Madri, a postura “coerente” de Sánchez lhe rendeu frutos no Sul Global, especialmente na América Latina e no mundo árabe.

“Os números fecham bem para o governo, porque ele ganhou muito protagonismo, muita projeção, muita presença em muitos países”, estimou Molina à AFP.

“A Espanha conquistou um peso entre os grandes países da União Europeia que antes não tinha”, concordou Joan Botella, professor de ciências políticas da Universidade Autônoma de Barcelona.

  • “Nêmesis de Trump” –

Nas últimas semanas, Sánchez ganhou destaque na imprensa internacional.

“Pedro Sánchez tornou-se o porta-bandeira da oposição política ocidental ao presidente dos Estados Unidos”, escreveu o The Wall Street Journal em março, enquanto o Financial Times o qualificou como a “nêmesis de Trump na Europa”.

Atual presidente da Internacional Socialista, Sánchez receberá figuras da esquerda mundial na cúpula Mobilização Progressista Global, que começará na sexta-feira em Barcelona. Comparecerão o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o sul-africano Cyril Ramaphosa e a mexicana Claudia Sheinbaum, além de 400 prefeitos e mais de 100 partidos.

Sánchez e Lula farão o discurso principal no sábado nesse encontro, que, segundo os organizadores, tem como objetivo mobilizar os progressistas em tempos turbulentos marcados pela ascensão da extrema direita.

A ascensão internacional de Sánchez contrasta com sua imagem polarizadora em nível nacional. Sánchez nunca contou com uma maioria parlamentar desde que chegou ao poder em 2018 e foi enfraquecido pelos escândalos de corrupção que afetam familiares e antigos aliados políticos.

  • “Fortalecer sua posição política” –

Botella considera que Sánchez joga “a carta da política externa, porque é um âmbito em que se sente pessoalmente à vontade e no qual a opinião pública espanhola lhe é majoritariamente favorável”.

Mais de 68% dos espanhóis se opõem à guerra contra o Irã, incluindo os eleitores da principal força da oposição, o conservador Partido Popular (PP), segundo uma pesquisa de março publicada no jornal El País.

“Os espanhóis têm um certo complexo de inferioridade quando saem para o exterior. E, nesse sentido, o perfil que a figura de Pedro Sánchez adquiriu é algo satisfatório para muita gente para além de seu apoio eleitoral”, disse Botella.

O PP acusa Sánchez de utilizar a política externa para unir as forças de esquerda divididas na Espanha e desviar a atenção das manchetes negativas.

AFP

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado