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Partidos travam disputa por cores em campanha eleitoral na Argentina

Arquivo Geral

26/06/2011 9h27

A escolha das cores para as cédulas eleitorais de cada coligação no pleito de outubro suscitou uma batalha política inédita na Argentina, onde os partidos tiveram de usar seus melhores argumentos para conseguir as tonalidades desejadas nos papéis de votação.

 

As fervorosas negociações que costumam antecipar cada disputa eleitoral não se centraram desta vez na definição de candidatos ou de estratégias partidárias, mas na busca pelo azul, vermelho e verde, as cores mais disputadas pelas coligações, segundo consta da decisão da Justiça Eleitoral que definiu a atribuição de cores.

 

A juíza federal María Servini de Cubría, responsável pelos processos eleitorais, chegou a convocar audiências nos últimos dias com os representantes das legendas para dirimir a delegação das cores nas cédulas tanto das eleições primárias de 14 de agosto quanto das eleições gerais de 23 de outubro.

 

A batalha inédita surgiu porque, pela primeira vez, as coligações políticas da Argentina tiveram de escolher cores para as cédulas, de acordo com a reforma eleitoral aprovada em 2009 pelo Parlamento do país.

 

A coligação governista Frente para a Vitória, fração do Partido Justicialista (PJ, peronista), ganhou sua batalha contra o peronismo dissidente ao receber autorização da Justiça Eleitoral para empregar o azul, disputado pelas duas forças.

 

O candidato do peronismo dissidente Alberto Rodríguez Saá (da Aliança Compromisso Federal) terá de se conformar com uma combinação de azul-claro com tons rosados, enquanto o ex-presidente Eduardo Duhalde (Frente Popular) se apresentará com uma chamativa conjunção de magenta e verde.

 

Já a centenária União Cívica Radical (UCR) arrematou a desejada combinação de vermelho e branco que predomina no símbolo do partido, depois de entabular árduas negociações com a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores, que obteve o direito de aparecer com outro tom de vermelho, ao qual solicitava inicialmente.

 

“A cor das cédulas de votação é um elemento claramente identificador. É mas fácil sugerir a um eleitor votar em uma cor do que em um número”, como acontecia antes da reforma eleitoral, explica à Agência Efe o especialista Jorge Arias, da empresa de consultoria Polilat.

 

A força de centro-direita Proposta Republicana (PRO), liderada pelo prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, obteve o amarelo tradicional de sua propaganda, enquanto a Frente Ampla Progressista, de centro-esquerda, usará uma combinação de laranja e azul.

 

O movimento esquerdista Projeto Sul ficou com o verde, enquanto a Coalizão Cívica, de centro, se apresentará com uma combinação de verde e azul.

 

Na opinião de Arias, a mescla de cores pode confundir os eleitores na identificação de partidos, embora as cédulas contem também com fotos dos candidatos.

 

Outra ressalva do analista: não faltarão “partidos nanicos” que buscarão uma vantagem eleitoral com cores similares às das grandes legendas. “Na cidade de Rosário, por exemplo, houve uma eleição de anos atrás em que um candidato a vereador chamado Bermúdez conseguiu ser eleito por ter o mesmo sobrenome que o candidato do peronismo”.

 

Para evitar confusões, a juíza María Servini de Cubría enfatizou em sua sentença que deve haver, “de forma nítida”, “diversidade entre as cores a serem apresentadas pelos partidos políticos para seus modelos de cédulas”.

 

Os tons atribuídos às cédulas serão certamente os mesmos que as coligações usarão para os panfletos e folhetos de propaganda partidária, tal como indicam os analistas políticos.

 

A seleção das cores, definida na última quinta-feira, ocorre em plena campanha eleitoral argentina, na qual a presidente Cristina Kirchner, candidata à reeleição, figura como nome favorito nas pesquisas de opinião, diante de uma oposição dividida em várias frentes.

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