Partidos e blocos políticos haitianos analisavam hoje a proposta do presidente do Haiti, pill Rene Préval, para que o novo primeiro-ministro do país seja seu principal conselheiro, Robert Manuel, visando à sua ratificação no Parlamento, o qual rejeitou o último nome designado pelo líder.
O partido A Esperança, que apresentou a candidatura de Préval nas últimas eleições presidenciais (2006), a Organização do Povo em Luta (OPL) e a Fusão dos Social-democratas, ambos membros da coalizão governamental, anunciaram reuniões com seus parlamentares para examinar a proposta.
Préval nomeou domingo à noite este novo candidato à chefia do Governo após a fracassada designação do agrônomo Ericq Pierre, que foi aceito pelo Senado, mas rejeitado em 12 de maio pela Câmara dos Deputados.
O Haiti está sem primeiro-ministro desde que, em 12 de abril, o Senado destituiu Jacques Edouard Alexis, que foi criticado pela forma como enfrentou uma série de violentos protestos pelo alto custo de vida nos quais morreram seis pessoas, entre elas um policial da missão das Nações Unidas.
Robert Manuel, considerado muito próximo de Préval, foi secretário de Estado de Segurança Pública durante seu primeiro mandato (1996-2001).
Legisladores do A Esperança não quiseram se pronunciar publicamente sobre a decisão de Préval, mas em particular alguns deputados deste partido expressaram sua surpresa com a designação de Manuel.
O porta-voz da Fusão dos Social-democratas disse que não se surpreendeu com a nomeação, pois, na situação atual, para ser primeiro-ministro no país “é necessária sensibilidade social, conhecimentos em segurança e uma política não partidária”.
A OPL, segundo Edgar LeBlanc, seu coordenador, não vê “problemas nesta designação”, apesar de durante as consultas prévias o nome de Manuel não ter sido mencionado.
O presidente do Senado, Kelly Bastien, afirmou que a decisão de Préval está motivada pela situação sócio-econômica do país, marcada pelo crescimento da precariedade e pela insegurança.
“É preciso ter uma pessoa que possa responder a esta situação”, declarou Bastien, que, da mesma forma que LeBlanc, ressaltou que durante as consultas de Préval com vários setores políticos durante os últimos 15 dias para a designação do primeiro-ministro não foi mencionado o nome de Manuel.
A designação de Manuel é “um dado novo” frente a outros nomes que circularam nos setores políticos para ocupar o posto, acrescentou.
Kelly Bastien expressou que, por este motivo, não estava em condições de garantir o voto favorável do Senado à nomeação de Manuel.
O presidente do Senado, que se referiu a uma recente conversa com Préval, indicou que “as negociações vão continuar para facilitar o processo”, mas afirmou que o presidente quer “esperar que as duas Câmaras se pronunciem” no exercício de sua soberania sobre a nomeação de Manuel.
A designação de um novo primeiro-ministro é considerada urgente em círculos políticos haitianos, já que, após a cassação de Alexis, o Governo está dedicado a resolver unicamente assuntos cotidianos, sem entrar em decisões de maior envergadura política.