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Partido Trabalhista britânico suspende deputada por nova controvérsia sobre racismo

A suspensão ocorreu após declarações de Abbott à BBC, nas quais afirmou que é “estúpido afirmar que o racismo relacionado à cor da pele é idêntico a outras formas de racismo”

Redação Jornal de Brasília

17/07/2025 20h11

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Uma fotografia divulgada pelo Parlamento do Reino Unido mostra a deputada trabalhista britânica Diane Abbott reagindo durante o pronunciamento do primeiro-ministro britânico aos membros do Parlamento após a publicação do Inquérito da Torre Grenfell, na Câmara dos Comuns, em Londres, em 4 de setembro de 2024. O primeiro-ministro Keir Starmer apresentou um pedido de desculpas de Estado aos sobreviventes e às famílias dos que faleceram e prometeu evitar uma tragédia semelhante no futuro. “O país falhou em cumprir seu dever mais fundamental: proteger vocês e seus entes queridos… E lamento profundamente”, disse ele durante o pronunciamento ao parlamento. O desastre do incêndio na Grenfell Tower, no Reino Unido, que matou 72 pessoas, foi resultado de “décadas de fracasso” do governo e de órgãos da indústria da construção, além da “desonestidade sistemática” de empresas de materiais de construção, segundo um relatório final publicado em 4 de setembro de 2024. (Foto da Câmara dos Comuns/Parlamento do Reino Unido/AFP)

A deputada Diane Abbott, primeira mulher negra eleita ao parlamento britânico e figura emblemática da esquerda, foi suspensa nesta quinta-feira (17) do Partido Trabalhista após reiterar declarações polêmicas sobre racismo.

A suspensão ocorreu após declarações de Abbott à BBC, nas quais afirmou que é “estúpido afirmar que o racismo relacionado à cor da pele é idêntico a outras formas de racismo”.

A decisão chega após a exclusão pelo primeiro-ministro Keir Starmer de quatro deputados de seu partido para reafirmar sua autoridade, depois que eles se rebelaram contra a reforma dos auxílios sociais.

“Diane Abbott estará submetida a uma suspensão administrativa do Partido Trabalhista, enquanto as investigações estiverem em andamento”, disse o porta-voz do partido.

Abbott, de 71 anos, candidata à direção do Partido Trabalhista em 2010, goza de grande respeito dentro da legenda.

Mas provocou polêmica em 2023 quando escreveu em uma carta à revista Observer que irlandeses, judeus e ciganos “sem dúvida sofrem preconceitos” que são “similares ao racismo”, mas “não enfrentam o racismo durante toda a vida”.

Aliada próxima do ex-líder de esquerda Jeremy Corbyn, Abbott ficou suspensa do partido durante mais de um ano.

Embora tenha voltado atrás em suas declarações e se desculpado por “qualquer angústia causada”, reiterou um argumento similar em sua entrevista à BBC exibida nesta quinta.

“Evidentemente, há uma diferença entre o racismo relacionado à cor e outros tipos de racismo porque”, quando “você vê um cigano ou um judeu caminhando na rua, você não sabe” que são ciganos ou judeus, “a menos que pare para falar com eles ou esteja em uma reunião com eles”, declarou Abbott.

© Agence France-Presse

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