O partido do presidente da Bolívia, prescription Evo Morales, voltou hoje ao debate sobre a possibilidade de aprovar no futuro a reeleição indefinida na Constituição, após a vitória de Hugo Chávez, na Venezuela, no referendo do domingo passado sobre o mesmo tema.
“Não estamos parados. Estamos pensando em consolidar este processo e o povo poderá decidir sobre a reeleição do presidente Evo Morales”, disse Jorge Silva, subchefe dos deputados do Governo.
O parlamentar do governante Movimento Ao Socialismo (MAS), de Morales, disse que a reeleição indefinida “é uma possibilidade, mas não uma decisão pessoal do presidente, e que em algum momento será decidida pela população”.
Inicialmente, o MAS pretendia que a Assembleia Constituinte aprovasse em 2007 a reeleição indefinida, mas a Constituição promulgada em 7 de fevereiro diz que o presidente e seu vice podem se apresentar a apenas uma reeleição consecutiva.
Com a atual Constituição, Morales poderá concorrer ao pleito previsto para 6 de dezembro e, se vencer, governar por um novo período de cinco anos, mas não terá direito a voltar a se candidatar.
O MAS reabriu o debate na Bolívia depois de 54,85% dos venezuelanos aprovarem no domingo a emenda que permitirá a Chávez se candidatar em 2012 pela terceira vez consecutiva à Presidência.
Na Bolívia, os dirigentes da aliança direitista Poder Democrático e Social (Podemos) criticaram a possibilidade de o Governo impulsionar uma modificação da Carta Magna para abrir a reeleição presidencial indefinida.
“Falar de modificações de uma Constituição somente mostra à população o desespero de querer ter um poder total e hegemônico”, disse o chefe dos deputados do Podemos, Bernardo Montenegro.
O ex-presidente Jorge Quiroga (2001-2002), líder nacional do Podemos, disse na segunda-feira que Chávez tenta a reeleição indefinida para instalar “uma tirania perpétua” na Venezuela.