Vários membros árabes do Parlamento de Israel (Knesset) receberam ameaças de morte nos últimos dias após expressarem apoio à frota humanitária atacada pelo Exército israelense na semana passada e condenar a sangrenta abordagem dos militares aos navios.
A última ameaça, feita pela organização ultranacionalista judaica autodenominada Pulsa DiNura (nome de uma praga dos anjos), chegou por carta ao escritório do parlamentar árabe Ahmed Tibi, ex-assessor do líder palestino Yasser Arafat (1929-2004).
Na mensagem, Tibi é alertado de que lhe restam “180 dias de vida” e que sua morte será “repentina e cruel”, informam os principais meios de comunicação eletrônicos de Israel.
“Por suas envenanadas posturas contra Israel e o sionismo, a direção emitiu contra você uma Pulsa DiNura”, diz a carta remetida ao deputado, assinada pelo nome Johann Rasmunsen.
Pulsa DiNura é uma antiga cerimônia cabalística pela qual se invoca os anjos da destruição para que impeçam qualquer tipo de perdão divino a uma pessoa, para que ela seja aniquilada pelo anjo da morte.
Proibida pela Torá (lei judaica), vários rabinos no passado criticaram o uso dessa maldição, que não aparece descrita em nenhum livro religioso, nem sequer os de Cabala, mas em antigos manuais de magia e bruxaria.
Yitzhak Rabin, primeiro-ministro assassinado em 1995 por um fanático judeu que se opunha à paz com os palestinos, e Ariel Sharon, que sofreu um derrame cerebral em dezembro de 2005 após deixar a Faixa de Gaza (e está até hoje em coma), são os dois únicos políticos a quem os ultranacionalistas judeus rogaram a praga.
Antes da carta, Tibi, da mesma forma que seu correligionário Taleb El-Sana, já tinha recebido várias mensagens anônimas nas quais também o ameaçaram de morte, chamando-o de “árabe sujo”.
A campanha de assédio contra os parlamentares árabes em Israel se agravou por causa da participação da parlamentar árabe Hanin Zoabi na frota naval com ajuda humanitária a Gaza.
Em seu retorno, Zoabi tentou pronunciar um discurso no Parlamento, mas vários colegas judeus nacionalistas a impediram, acusando-a de “traição”.