O chefe da missão da ONU para a estabilização no Haiti (Minustah), Edmond Mulet, afirmou nesta terça-feira que as eleições do próximo domingo no país serão realizadas em boas condições, apesar da epidemia de cólera e da lenta recuperação após o terremoto de janeiro.
“Acredito que nestas circunstâncias, levando em conta o contexto haitiano, teremos umas boas eleições”, disse Mulet em entrevista coletiva via satélite de Porto Príncipe.
Ele assegurou que as unidades militares e policiais da missão internacional estão preparadas para enfrentar qualquer eventualidade em matéria de segurança.
Também destacou que as forças de segurança internacionais estão distribuídas nas proximidades dos colégios eleitorais.
Todo o material eleitoral já se encontra sob resguardo em dependências da Minustah, pronto para ser distribuído entre os 11.181 colégios eleitorais, onde 4,6 milhões de haitianos deverão comparecer para votar, destacou.
Mulet também afirmou que a calma retornou à cidade de Cap-Haitien, no norte do país, após os violentos protestos registrados na semana passada e que resultaram na morte de uma pessoa por disparos dos capacetes azuis.
Ele destacou que a atenção que o Governo haitiano prestou nos dias posteriores às demandas sociais, como falta de eletricidade e a coleta do lixo, conseguiram reduzir as tensões entre a população.
Para ele, embora a situação no país continue sendo “preocupante”, está melhor que a de instabilidade em que o último pleito foi realizado.
Mulet disse que os protestos em Cap-Haitien, assim como incidentes similares em Porto Príncipe e outras regiões, respondiam a “motivações políticas” de setores que tentam se utilizar da epidemia de cólera para atrapalhar o processo eleitoral.
“Apesar disso, os preparativos para o pleito continuam sem interrupções. O Governo e a imensa maioria dos candidatos estão determinados a garantir sua realização”, acrescentou.
O chefe da Minustah negou as acusações de que soldados nepaleses da Minustah tenham sido os responsáveis pela epidemia de cólera.
“Agora é preciso concentrar-se em atender as necessidades das vítimas”, ressaltou.
Por sua vez, o coordenador humanitário da ONU no Haiti, Nigel Fisher, assegurou que o número de contaminados pode chegar a 200 mil pessoas em três meses.
“Estamos em um terreno desconhecido, porque não houve situação igual a essa no Haiti no passado”, destacou Fisher, quem ressaltou que os especialistas preveem que a epidemia se prolongará por meses ou até por um ano.
Segundo as autoridades haitianas, o número de mortos é de 1.415 e 60.240 pessoas foram atendidas em centros médicos.
A ONU suspeita que esses números sejam mais altos porque não se sabe ao certo o número de casos nas áreas rurais.