A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, quer se afastar do Governo venezuelano e dar prioridade às relações com outros países como Estados Unidos, disse nesta terça-feira o ex-chanceler brasileiro Luiz Felipe Lampreia.
“Dilma tratou sutilmente de se distanciar do presidente Hugo Chávez. Tanto que quando este pediu para ir ao Brasil como parte de sua próxima viagem pela América Latina, a presidente lhe disse que viajaria para Portugal”, assegurou.
Lampreia mencionou o tema durante uma conferência sobre os desafios e as oportunidades do novo Governo brasileiro, organizada pelo Centro de Política Hemisférica da Universidade de Miami.
Ele afirmou que a relação será muito diferente da que existia durante o mandato do ex-governante Luiz Inácio Lula da Silva, que tinha uma grande empatia por Chávez.
Além disso, considerou que a influência do governante venezuelano diminuiu na América Latina e que isso permite certo afastamento.
A recente visita do presidente dos EUA, Barack Obama, ao Brasil confirmou as intenções de ambos os Governos de melhorar as relações entre os dois países, afirmou o ex-chanceler.
“É preciso esperar para ver como avançam, mas serão relações cordiais”, previu Lampreia.
Ele acrescentou que países como Argentina, Chile, Colômbia e Peru também são importantes na política externa atual do Governo brasileiro.
Ele ressaltou que o Brasil nunca teve tanta influência no mundo quanto agora, razão pela qual continua lutando para obter um posto permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Para Lampreia os desafios que o Brasil enfrenta não são apenas em sua política externa, mas também internos.
Segundo ele, entre os assuntos prioritários estão o fortalecimento da educação, da segurança nos bairros mais pobres e a redução da taxa de inflação.
“Temos uma inflação bastante alta” e um déficit externo. “Estamos dependendo muito da China, pois exportamos muitos grãos de soja e minério de ferro a este país”, ressaltou.
A Administração de Dilma está tentando reduzir os juros e as despesas governamentais, acrescentou.
Segundo uma projeção do Banco Central (BC), divulgada na sexta-feira passada, o Brasil fechará este ano com um déficit recorde de US$ 60 bilhões.