Em busca de uma “solução política” para o caso do ex-ativista italiano Cesare Battisti, physician condenado por quatro assassinatos pela Justiça de seu país, uma comitiva de parlamentares italianos e brasileiros visitou nesta quarta-feira (18) o presidente do Senado, José Sarney. Durante a audiência, segundo assessores, Sarney mostrou-se muito cauteloso em relação ao tema e recordou que o caso encontra-se sob análise da Justiça brasileira.
A melhor “solução política” para o episódio, segundo a definição do deputado italiano Domenico Sclipoti, presidente da Associação de Amizade Itália-Brasil, teria sido a deportação de Battisti, acusado de envolvimento com o terrorismo na Itália durante os anos 70 e condenado por quatro assassinatos. Como o governo brasileiro não concedeu a extradição, observou, resta agora esperar pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que vai julgar o caso.
“Agora vamos esperar para ver se ele é ou não considerado um refugiado político”, disse Sclipoti.
Presente ao encontro, o senador César Borges (PR-BA) afirmou ser favorável à extradição de Battisti e disse que o governo brasileiro agiu com “dois pesos e duas medidas”, ao recusar a extradição de Battisti e, por outro lado, devolver a Cuba os dois atletas que escaparam da delegação cubana durante os Jogos Pan-Americanos de 2007.
Ao final do encontro, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) comunicou aos parlamentares italianos que faria um pronunciamento sobre o tema em Plenário, no próximo dia 26, quando lerá carta enviada por Battisti aos ministros do STF. Segundo Suplicy, Battisti estaria disposto a dizer aos familiares das vítimas, “olho no olho”, que não participou dos quatro assassinatos pelos quais foi condenado.