O Paquistão advertiu nesta quinta-feira a Índia que sem uma solução para a disputa pela região da Caxemira será impossível que as duas potências nucleares tenham “confiança mútua” para avançar no diálogo e instaurar a paz na região.
Em entrevista coletiva em Islamabad, o porta-voz do Ministério de Exteriores paquistanês, Abdul Basit, lembrou a série de resoluções da ONU que, desde 1948, pedem a realização de um plebiscito sobre a situação da Caxemira.
“A Índia sabe bem que se a disputa pela Caxemira não for solucionada, não vai haver nem confiança mútua entre os dois países, nem uma paz viável na região”, sustentou Basit, citado pela agência estatal de notícias “APP”.
O porta-voz criticou a “aversão moral e legal às normas” da Índia e insistiu que o país “continua violando os princípios consagrados na Carta da ONU e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, assim como várias resoluções”, em clara alusão à Caxemira.
Em sua recente visita a Deli, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mostrou apoio para que a Índia ocupe um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU, algo que irritou Islamabad.
Na véspera do segundo aniversário do ataque terrorista de Mumbai, que a Índia atribui a um grupo da Caxemira com base no Paquistão, Basit reiterou que seu Governo está “comprometido” a levar os responsáveis pelo massacre para os tribunais.
O Executivo indiano, no entanto, enviou nesta quarta-feira uma nota verbal às autoridades paquistanesas para criticar a “falta de progresso” no Paquistão no caso contra os sete acusados no país.
Após quatro anos de diálogo regular sobre as disputas, entre elas a Caxemira, o atentado abriu uma brecha na relação entre os dois países e as negociações ficaram estacionadas.