A atualização da Profecia de Fátima, as duras críticas ao aborto, o casamento entre homossexuais e os casos dos padres pedófilos marcaram a viagem de Bento XVI a Portugal, onde foi recebido por milhares de pessoas.
O papa também denunciou que políticos, intelectuais e profissionais da comunicação “promovem uma cultura única e desdenham a religião” tentando silenciar a fé em numerosas partes do mundo.
Como ocorreu em sua recente visita a Malta, os casos dos padres pedófilos estiveram presentes nesta viagem e o papa fez declarações duras a respeito ao afirmar que o “perdão não substitui à justiça”.
Sobre a Profecia de Fátima, Bento XVI disse que a mensagem de Nossa Senhora se relaciona com o atentado a João Paulo II na Praça de São Pedro do Vaticano em 1981 e os sofrimentos da Igreja e que a “novidade” que descoberta agora, dez anos após sua publicação, é que a mensagem é para todo o mundo, para todos os papas que fazem parte da Igreja.
“A novidade que podemos descobrir nesta mensagem é que não só desde fora se ataca ao papa e à Igreja. O sofrimento da Igreja vem de seu interior, dos pecados que existem nela. Já se sabia, mas hoje vemos isso de um modo realmente aterrorizante”, disse em referência aos casos de religiosos pedófilos.
Ratzinger pregou a “tolerância zero” contra a pedofilia, acrescentou que “a maior perseguição” da Igreja não vem de inimigos de fora, “nasce do pecado da Igreja”.
“A Igreja tem uma profunda necessidade de voltar a aprender a penitência, de aceitar a purificação, de aprender o perdão, mas também a necessidade de justiça, já que o perdão não substitui à justiça”, assegurou.
Antes de ir para Fátima, meta de sua viagem, Bento XVI se reuniu com o mundo da cultura portuguesa e exortou os intelectuais a “não terem medo”, se confrontar com Deus e dialogar com os crentes.
Disse que um povo que renega Deus “acaba perdido nos labirintos do tempo e da história, sem valores claramente definidos e sem objetivos”, e advogou por uma “cidadania mundial” baseada nos direitos humanos e nas responsabilidades dos cidadãos, independente da origem étnica, pertinência política e crenças religiosas.
No meio de multidões, o Pontífice chegou a Fátima seguindo as pegadas de Paulo VI, que a visitou em 1967, e de João Paulo II, que foi a cidade em 1982, 1981 e 2000.
Durante a tradicional procissão noturna das velas de Fátima, o papa denunciou que a humanidade “sofre e está ferida” e que a fé corre o risco de se apagar em muitas partes do mundo.
No dia de Fátima, 13 de maio, quando se lembra a primeira das seis aparições de Nossa Senhora as três crianças videntes Lucia, Jacinta e Francisco em 1917 quando ela lhes confiou os chamados “Segredos de Fátima”, Bento XVI assegurou que “se equivocam” os que pensam que a mensagem “terminou”.
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que o fato de Bento XVI “atualizar” o conteúdo da Profecia significa que para o papa a mensagem é uma “chave de leitura do mundo e dos eventos presentes à luz da fé”.
Lombardi assegurou que a presença em massa de fiéis demonstra que os escândalos dos padres pedófilos não danificaram a popularidade de Bento XVI nem sua imagem
Para a Igreja portuguesa, os fiéis souberam separar o dano de uns poucos sacerdotes e a Igreja.
Em um país que legalizou o aborto e está a ponto de dar sinal verde para o casamento entre homossexuais, Bento XVI alertou que essas situações estão entre os mais “desafios mais perigosos” que a sociedade tem.