O Governo do Panamá se mostrou nessa segunda-feira disposto a manter o asilo ao diretor do jornal equatoriano “El Universo” Carlo Peréz, embora o presidente deste país, Rafael Correa, tenha pedido a “remissão” de sua condenação a prisão por injúrias.
Se a remissão for concedida e o jornalista decidir deixar a sede da Embaixada do Panamá em Quito, onde buscou refúgio no último dia 16 de fevereiro, e “mudar-se para o Panamá (…) obviamente receberia asilo”, declarou nesta segunda-feira o chanceler panamenho, Roberto Henriquez.
As declarações de Henriquez antecederam o anúncio público de Correa de perdão aos quatro jornalistas processados por injúrias devido a uma coluna publicada pelo jornal “El Universo” de Guayaquil.
Trata-se dos irmãos Carlos, César e Nicolas Pérez, e do ex-editorialista Emílio Palacio, autor da coluna.
Além das penas de prisão, a justiça os ordenou pagar indenização milionária a Correa.
Em 16 de fevereiro, Carlos Pérez se asilou na Embaixada panamenha em Quito horas depois de o máximo tribunal do Equador ratificar a condenação de três anos de prisão e o pagamento de US$ 40 milhões, quantia também imposta aos seus irmãos e a Palacio.
O Panamá tramitou o salvo-conduto, mas o Governo equatoriano se negou argumentando que Pérez tem plena liberdade para deixar a sede diplomática e viajar para onde quiser, pois não existe nenhuma ordem de captura contra ele, conforme o próprio Correa no sábado.
O chanceler Henriquez respondeu às críticas equatorianas contrárias a decisão panamenha de asilar Pérez, principalmente porque o presidente Ricardo Martinelli se queixou de maneira reiterada dos supostos abusos da imprensa.
Após a ratificação da condenação, Palacio, outro dos condenados, pediu asilo político aos Estados Unidos, onde estava há alguns meses. Os outros dois irmãos López também estão nos EUA.