A promotoria de Palermo pediu nesta quarta-feira o julgamento do ministro de Políticas Agrícolas italiano, Saverio Romano, por suposto conluio com Cosa Nostra, a máfia siciliana.
No dia 8 de julho, o juiz do Tribunal de Palermo, Giuliano Castiglia, tinha rejeitado o pedido de arquivar a causa contra o ministro do Governo de Silvio Berlusconi e tinha pedido à promotoria que formulasse um novo pedido de envio a julgamento.
Saverio Romano, ministro desde 23 de março, é acusado pelos colaboradores da justiça Francesco Campanella e Angelo Siino de “estar à disposição” de Cosa Nostra e em particular dos chefões de Villabate, Nicola e Antonino Mandala.
Romano deixou seu partido, a União da Democracia Cristã e de Centro (UDC), em setembro do ano passado para passar a um novo grupo parlamentar, Populares da Itália (PID), e apoiar o voto de confiança que salvou o Governo de Berlusconi.
O ministro era investigado desde 1999 por sua suposta relação com a máfia, mas esta primeira investigação foi arquivada, e em 2005 se abriu uma nova após as declarações de alguns mafiosos colaboradores com a justiça.
Após sua nomeação como ministro, o presidente da República italiana, Giorgio Napolitano, quis expressar suas “reservas” sobre a designação de Romano, devido à acusação que pesava sobre ele.
Em outro comunicado, o líder do opositor partido Itália dos Valores (IDV), Antonio di Pietro, anunciou a intenção de sua formação de colocar “uma iniciativa parlamentar que tenha a força de uma moção de censura” contra Romano.
“É inconcebível e inaceitável que no Governo haja uma pessoa contra a que se tenha disposto uma solicitação de processo por graves feitos de máfia”, afirmou Di Pietro.
Nos próximos dias, em uma audiência preliminar, um juiz decidirá se aceita o pedido e se envia o ministro de Berlusconi a um julgamento.