Menu
Mundo

Países querem manter a unidade no combate ao financiamento do terrorismo

Em conferência em Paris, representantes de mais de 70 países discutiram desafios do combate ao terrorismo diante do avanço das criptomoedas, da digitalização financeira e da fragmentação de grupos extremistas

Redação Jornal de Brasília

19/05/2026 17h03

Foto: AFP

Foto: AFP

Os países são obrigados a colaborar entre si para combater o financiamento do terrorismo, disse à AFP a presidente do Gafi, organismo internacional encarregado de coordenar este enfrentamento, antes de uma reunião às margens do G7, nesta terça-feira (19).

Mais de 70 delegações, que incluíram ministros das Finanças, encarregados de serviços de inteligência financeira e chefes de instituições internacionais, se reuniram em Paris para a 5ª conferência “No money for terror” (Sem dinheiro para o terrorismo, em tradução livre).

O Grupo de Ação Financeira Internacional (Gafi), com sede em Paris, coordena a atuação dos países para prevenir e combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, avaliando os sistemas nacionais e recomendado medidas de controle.

Mas a cooperação internacional e as abordagens multilaterais estão fragilizadas neste momento pelo endurecimento das posturas de grandes potências, em especial de Estados Unidos, Rússia e China.

“Os terroristas não respeitam nenhuma fronteira. Não têm nenhum limite. Portanto, os países não podem se dar o luxo de não trabalhar juntos. Devemos cooperar”, assegurou a presidente do Gafi, a mexicana Elisa de Anda Madrazo.

Na capital francesa, antes da reunião sobre o combate ao financiamento do terrorismo, ela deu como exemplo a cooperação durante os Jogos Olímpicos de Paris-2024.

“Vários atentados terroristas foram frustrados e paralisados graças à inteligência financeira. Portanto, sabemos que funciona e que pode dissuadir os ataques. Não podemos nos dar o luxo de parar”, afirmou.

Neste contexto, o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a regulação das criptomoedas para não criar um faroeste. Se as criptomoedas estiverem “totalmente fora de regulação (…), de fato seremos cúmplices de atividades terroristas”, advertiu.

No início da reunião, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reiterou que Washington devia receber apoio em sua política de sanções contra o Irã e pediu, ainda, a seus “parceiros em todo o mundo” responder “com firmeza ao leque de terroristas (…) do Hezbollah ao Cartel de Sinaloa”.

Segundo a Presidência francesa, nesta conferência o objetivo é “seguir trabalhando para sermos capazes de fazer frente às inovações, adaptar os métodos e as ferramentas, compartilhar as boas práticas”.

Os serviços de inteligência constataram uma fragmentação da ameaça terrorista, em particular jihadista, em um ambiente marcado pela fragilização das duas grandes organizações centrais, Al-Qaeda e o grupo Estado Islâmico, e pelo auge da ameaça doméstica, procedente de pessoas isoladas.

Os circuitos de financiamento também evoluíram desde 2018, quando estas conferências começaram, lembra Madrazo.

“Hoje, temos múltiplas células e uma descentralização maior. Mas as ferramentas também mudaram. Agora, contamos com os ativos virtuais, a digitalização e uma economia cuja arquitetura é diferente. E a combinação dos mecanismos tradicionais e as novas tecnologias efetivamente constitui um desafio”, acrescenta.

AFP

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado