O presidente eleito da Costa do Marfim, Alassane Ouattara anunciou que o líder deposto Laurent Gbagbo, detido nesta segunda-feira pelas Forças Republicanas (FRCI), será réu na Justiça, com “tratamento digno” e os direitos respeitados.
Em discurso à nação transmitido pela “Televisão da Costa do Marfim” (“TCI”), Ouattara anunciou a criação de uma comissão de reconciliação e paz que buscará esclarecer todos os crimes e massacres cometidos no país durante os últimos anos.
Ele destacou também que adotou todas as disposições para garantir a integridade física tanto de Gbagbo como de sua esposa, Simone, e de outras pessoas do antigo regime que se encontram presas.
Para facilitar a ordem, Ouattara pediu às forças de segurança nacionais, da Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (Onuci) e dos militares franceses que zelem pela segurança dos habitantes e dos bens, tanto na capital econômica quanto no resto da Costa do Marfim.
Ouattara pediu aos grupos armados leais a Gbagbo para que deponham as armas, ressaltando que combater “já não faz mais sentido”.
Ele também pediu a seus seguidores que se abstenham de realizar atos de vingança ou violência, e insistiu na necessidade de fazer o máximo possível para que a paz volte definitivamente ao país.
“Uma nova página em branco se abre hoje em nosso país e cabe a nós escrever juntos nossa história de reconciliação e paz”, declarou Alassane Ouattara, que pediu a “Deus que abençoe nosso lindo país”.
As forças leais a Outtara lançaram nesta segunda-feira o ataque final sobre Gbagbo, após mais de dez dias de intensos combates em Abidjan, apoiados por militares franceses e por soldados da Onuci, que neste domingo à noite também bombardearam a residência presidencial nessa cidade, no bairro de Cocody.
A detenção de Gbagbo foi amparada com alívio em alguns bairros de Abidjan, como Kumasi, onde os moradores saíram às ruas para comemorar a prisão do ex-presidente, que abre o caminho à paz na Costa do Marfim.