A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse hoje que está preocupada com que o forte aumento de ataques registrado no leste do Afeganistão nas últimas semanas tenha como causa os acordos entre o Governo do Paquistão e os extremistas desse país.
Os ataques na região leste do Afeganistão aumentaram 50% em abril em relação ao mesmo mês do ano anterior, shop afirmou hoje o porta-voz da Aliança Atlântica, James Appathurai, em entrevista coletiva.
A Otan está “muito preocupada” com que este aumento “se deva pelo menos em parte aos acordos que foram fechados com os militantes no outro lado da fronteira”, acrescentou o porta-voz.
Appathurai acrescentou que o secretário-geral da Organização, Jaap de Hoop Scheffer, tem a intenção de viajar em breve a Islamabad para debater a questão com o Governo paquistanês.
O porta-voz da Otan disse que os ataques de abril se situaram em números similares ao pico de atentados registrado em agosto de 2007, mas não quis especificar o total de ações.
O último Governo paquistanês manteve uma linha de operações militares contra os extremistas nas regiões tribais da fronteira noroeste com o Afeganistão, mas o novo Executivo, contrário ao presidente do país, Pervez Musharraf, optou por negociações para tentar colocar fim à violência na região.
O porta-voz da Otan se esforçou em deixar claro que a Aliança “não quer nem tem a intenção de entrar na política interna do Paquistão”, mas ressaltou que têm direito de “manifestar nossas preocupações”.
A Otan dirige no Afeganistão uma força de paz internacional (Isaf) formada por 47 mil soldados de 40 países.
Tropas de Estados Unidos, Turquia, Austrália e República Tcheca operam na região leste do Afeganistão, uma das zonas mais montanhosas e violentas do país.