Os ministros do Exterior dos países-membros da Otan e da União Européia (UE) se reúnem amanhã para tentar buscar unidade em torno do problema do Kosovo e discutir saídas para o conflito que pode ocorrer se a província sérvia proclamar independência unilateralmente.
Os diplomatas ocidentais se concentrarão sobre o Kosovo durante o chamado jantar euro-atlântico. No dia seguinte, look terão uma reunião complicada pela intenção russa de suspender sua adesão ao Tratado de Forças e Armas Convencionais na Europa (FACE) na quarta-feira da semana que vem.
A última tentativa de demover os russos da medida será o encontro com o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, marcado para sexta-feira.
Durante o jantar do primeiro dia, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pedirá a seus colegas que apóiem uma transição suave e em calma para a independência do Kosovo, anteciparam diplomatas dos EUA.
O cenário se complica a partir de 10 de dezembro, quando os mediadores de EUA, Rússia e UE já terão apresentado um relatório à ONU que resumirá o fracasso dos esforços feitos nos últimos meses para aproximar as posições de sérvios e kosovares.
À margem de questões jurídicas, os membros da Otan têm clara a necessidade de continuar com a missão militar da Força para o Kosovo (KFOR) para garantir que não haverá violência durante o processo. O reconhecimento da soberania do novo Estado seria feito país por país.
Também se dá por certo que a UE aprovará nos próximos dias a remessa de recursos para assumir o controle da missão da ONU no Kosovo (Unmik), que administra a província desde 1999.
Para formalizar sua presença na área, a ONU aprovou a resolução 1244, que foi objeto de interpretações diferentes. Para alguns, ela poderia levar à independência, enquanto para outros significa o contrário e deixa claro que o Kosovo é parte inseparável da Sérvia.
O bom senso diz que não se pode abandonar o Kosovo à sua sorte, asseguraram hoje as fontes, que aludiram a uma possível declaração de Belgrado e Pristina para pedir a continuação da presença internacional.
De fato, apesar das declarações públicas dos políticos kosovares advertindo que proclamarão a independência a partir da próxima semana, não é provável que eles dêem este passo sem contar com o apoio de grande parte da comunidade internacional.
Quanto à reunião que os ministros do Exterior realizarão na sexta-feira com Lavrov, eles pretendem ser francos e transferir o mal-estar da aliança pelo anúncio de que vão sair do FACE.
A Rússia protesta pela extensão da Otan em direção ao Leste Europeu e a eventual instalação de um escudo antimísseis americano perto de suas fronteiras.
O FACE, que muitos políticos e militares russos consideram anacrônico, limita a presença de Forças Armadas e armamento convencional – tanques, blindados, artilharia pesada e aviação de combate – no continente, inclusive na parte européia da Rússia.
Os políticos se reunirão no contexto de uma situação potencialmente complicada na Sérvia e na Bósnia, como efeito colateral de uma eventual independência do Kosovo.