A Otan e a Rússia deram nesta quarta-feira um novo passo rumo à possível cooperação na defesa antimíssil, ao acertar períodos concretos para o reatamento dos exercícios conjuntos de defesa contra foguetes táticos.
No entanto, a Aliança Atlântica espera mais esclarecimentos de Moscou sobre quais são seus objetivos nesta cooperação, disseram fontes aliadas após uma reunião do Conselho OTAN-Rússia em nível de embaixadores.
No encontro, a primeira após a cúpula que as partes realizaram em Lisboa em 20 de novembro, foi discutido como manter o impulso político da reunião para “definir o alcance da cooperação” em defesa territorial antimíssil, segundo a porta-voz da Otan, Oana Lungescu.
Dentro dessa discussão, está previsto que haverá “reuniões regulares” do Conselho OTAN-Rússia, a primeira das quais poderia acontecer no final de janeiro.
A Aliança Atlântica mantém a ideia de que deveria haver dois sistemas de defesa territorial, um da Otan e outro da Rússia, mas com uma estreita cooperação entre ambos.
A Rússia sugeriu criar um novo sistema, mas “não temos certeza de que as propostas russas sejam tão claras, por isso faremos mais reuniões para deixar claro o que cada um pensa”, assinalou por sua parte outra fonte aliada que pediu anonimato.
Por enquanto, as partes continuaram com o processo para retomar os exercícios conjuntos em defesa antimíssil para proteger as tropas desdobradas em missões.
Otan e Rússia acordaram elaborar para o início do próximo ano um programa de exercícios conjuntos neste campo, com o objetivo de retomar a cooperação “o mais rápido possível”, assinalou Lungescu após a reunião.
Os exercícios concretos precisam de 18 meses para serem realizados.
O último ocorreu em janeiro de 2008, e posteriormente a cooperação foi interrompida como consequência da ruptura de relações militares entre Otan e Moscou após o conflito da Rússia com a Geórgia em agosto desse ano.