O político boliviano Manfred Reyes Villa, principal candidato da oposição à Presidência nas eleições do último dia 6, se declarou hoje como vítima de uma “perseguição política” e negou ter foragido do país, como o Governo insinuou horas antes.
Reyes Villa disse por telefone à rede de televisão “Unitel” que está em La Paz, mas que seguiria para outros lugares porque agentes do Governo o seguem para detê-lo “sem nenhum argumento jurídico”.
Horas antes, o ministro de Governo (Interior) boliviano, Alfredo Rada, disse a jornalistas que suspeitava de que Reyes Villa tinha fugido da Bolívia para não responder a processos judiciais contra si.
O opositor aproveitou seu desmentido para acusar o presidente boliviano, Evo Morales, de ter ordenado sua perseguição.
Reyes Villa concorreu nas eleições do último dia 6 como candidato à Presidência pelo partido Plano Progresso Bolívia-Convergência Nacional (PPB-CN).
O vencedor do pleito foi o presidente boliviano, Evo Morales, que se reelegeu com 64% dos votos. A legenda de Reyes Villa foi a segunda mais votada, com 27%.
O ex-candidato presidencial destacou que não está na “clandestinidade”, como disseram outros dirigentes de seu partido à imprensa local, e insinuou que não se apresentará à Justiça porque teme uma detenção por razões políticas.
“Não preciso estar em nenhuma clandestinidade”, ressaltou Reyes Villa, que, segundo o Governo, teria cometido danos econômicos quando governou o departamento (estado) de Cochabamba.
“Realmente é incrível a perseguição que estão fazendo àqueles que pensam diferente. Realmente o país está entrando em uma ditadura sindical inédita, pior que as ditaduras (militares) dos anos 80”, afirmou.
O porta-voz de Reyes Villa, Erick Fajardo, disse que o ex-governador regional ficará “bem resguardado” até que a institucionalidade do Poder Judiciário seja restituída e haja a garantia de um processo justo.