A opositora Coalizão Cívica pediu hoje à Justiça da Argentina que investigue o ex-presidente Néstor Kirchner por suposta lavagem de dinheiro, informaram fontes judiciais.
A denúncia foi apresentada ao juiz Julián Ercolini pelos deputados Juan Carlos Morán, Carlos Comi e Horacio Piemonte.
Eles pedem em carta ao magistrado que avalie possíveis vínculos entre este crime e o crescimento do patrimônio do ex-presidente (2003-2007) nos últimos anos.
“Achamos que o crescimento patrimonial não só poderia configurar o crime de enriquecimento ilícito, mas também que é a prova do crime de lavagem de ativos”, assinala a denúncia, segundo a imprensa local.
Os deputados também pediram que a Justiça investigue a compra de US$ 2 milhões que Kirchner fez em outubro de 2008, em plena crise financeira internacional, causa que foi arquivada por outro juiz em junho.
Nesse sentido, também envolveram a presidente argentina, Cristina Fernández Kirchner, esposa do ex-governante.
“Consideramos que neste caso o crime é evidente, já que ao Néstor Kirchner conseguir um benefício econômico com esta operação, quem definitivamente enriquece é a presidente Cristina por a vantagem lucrativa ser obtida de um bem adquirido pelo casal no casamento”, precisa o texto.
“Portanto, o crime teria sido consumado pela própria presidente através de Néstor Kirchner e com seu consentimento, desde o momento em que ele mesmo e conforme à informação privilegiada que Cristina lhe brindava foi quem realizou a compra de US$ 2 milhões”, aponta.
O aumento patrimonial dos Kirchner foi motivo de denúncias penais apresentadas por forças da oposição política ano passado, quando o casal apresentou uma declaração jurada segundo a qual seu capital tinha aumentado em 2008 em 158%, até US$ 12,1 milhões.
Mas estas causas foram arquivadas no fim do ano passado, quando a Promotoria se absteve de apelar de uma decisão judicial que tinha absolvido o casal.
A fortuna do casal presidencial argentino cresceu 20,65% em 2009, até os US$ 14,5 milhões, segundo uma declaração jurada que o casal apresentou recentemente ao Escritório Anticorrupção.