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Operação dos EUA contra fraude gera investigação em bancos

Arquivo Geral

20/06/2008 0h00

A recente operação das autoridades dos Estados Unidos relacionada com fraudes hipotecárias, approved incluindo a detenção de dois executivos do banco Bear Stearns, desencadeou mais investigações em outras empresas e pretende restaurar um clima de maior estabilidade e confiança nos investidores.

Ralph Cioffi e Matthew Tannin, dois ex-gerentes de fundos de alto risco do Bear Stearns, são, até hoje, os primeiros acusados penalmente pela crise hipotecária nos EUA, que levou bancos e instituições financeiras a contabilizar perdas de mais de US$ 350 bilhões.

As imagens dos dois executivos a caminho do julgamento trouxe à mente a lembrança de outros grandes escândalos, como Enron, WorldCom e Adelphia, nos quais os principais executivos foram condenados por fraudes contábeis e por enganar os investidores.

A detenção e acusação dos dois ex-executivos do Bear Stearns faz parte de uma ampla investigação das autoridades federais realizada nos últimos três meses e meio, a qual permitiu descobrir mais de cem casos de fraude hipotecária e gerou a acusação de 406 pessoas.

É a terceira ocasião, desde 2004, em que as autoridades realizam uma operação desse tipo em nível nacional, em uma tentativa também de injetar confiança no mercado e nos cidadãos, muitos dos quais se vêem contra a parede pelos abusos sofridos durante o processo para obter uma hipoteca.

“A fraude hipotecária representa uma grande ameaça para nossa economia, para a estabilidade de nosso mercado imobiliário e para a tranqüilidade de milhões de proprietários”, disse o procurador-geral adjunto dos EUA, Mark Filip, ao anunciar, na quinta-feira, a ampla operação.

Ele acrescentou que a investigação e perseguição de crimes relacionados com o setor hipotecário continuará, com o objetivo de “restaurar a estabilidade e confiança” do mercado de créditos e imóveis.

A operação, denominada Hipoteca Fraudulenta e que ainda está em andamento, tem como foco fraudes vinculadas à concessão de empréstimos, ao resgate de execuções de hipotecas e a processos de falência associados a esse tipo de empréstimos, de acordo com as autoridades.

A divulgação de informação falsa sobre a pessoa que contrai o empréstimo ou cobranças abusivas a proprietários de imóveis, que passam por uma difícil situação econômica e desejam evitar a execução de uma hipoteca, são algumas das táticas ilegais questionadas pelo Departamento de Justiça e FBI (Polícia federal).

Também são investigadas operações financeiras mais sofisticadas e que movimentam bilhões de dólares, como reflete o caso dos executivos do Bear Stearns.

A acusação formal contra Cioffi e Tannin alega que ambos enganaram os investidores que forneceram mais de um bilhão de dólares a dois fundos que criaram em 2003 e 2006 para investir em obrigações ligadas à dívida (CDO), incluindo hipotecas.

Apesar de os executivos considerarem, já em 2007, que os fundos passavam por uma grave situação e corriam risco de quebrar, não advertiram os investidores disso e inclusive desenharam um panorama muito diferente, com o objetivo de impedir uma retirada em massa e conservar sua reputação.

Em 9 de junho de 2007 e quando o colapso dos fundos era iminente, Cioffi ressaltou que se a situação não mudasse, teria “jogado 30 anos de carreira no ralo”, segundo a acusação.

O documento explica também que, apesar de conhecer a difícil situação dos fundos, Cioffi e Tannin tentaram aumentar a liquidez, assegurando a potenciais investidores que o mercado oferecia tremendas “oportunidades de compra”, quando, em particular, tinham uma percepção muito diferente.

“Creia ou não, fui capaz de convencer pessoas para que dessem mais dinheiro”, disse Tannin em março em um e- mail a outro membro da equipe diretora, segundo o documento de 28 páginas.

Em junho, as pessoas que ainda tinham dinheiro investido foram informadas de que os dois fundos tinham perdido 100% de seus respectivos valores, o que representava uma perda de ao redor de US$ 1,4 bilhão.

A investigação iniciada pouco depois pela Securities and Exchange Commission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários americana) permitiu descobrir também que alguns computadores utilizados pelos dois executivos em seu trabalho tinham desaparecido.



 

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