O enviado da ONU para os direitos humanos na Coreia do Norte, Marzuki Darusman, manifestou nesta sexta-feira que a ajuda humanitária ao país comunista deve ser restabelecida o mais rápido possível.
Darusman ressaltou em Seul a importância de ser atenuada a tensão provocada pelo ataque de Pyongyang contra uma ilha sul-coreana no Mar Amarelo, informou a agência sul-coreana “Yonhap”.
Os disparos de artilharia que atingiram na terça-feira a ilha de Yeonpyeong, em plena fronteira marítima, deixaram quatro mortos, sendo dois civis.
Depois do ataque, a Coreia do Sul decidiu suspender o envio da ajuda humanitária prometida a Pyongyang após as inundações que o país sofreu em agosto, envio que incluía material médico e sete mil toneladas de cimento para a reconstrução de zonas atingidas.
Além disso, Seul anunciou nesta sexta-feira que restringirá ao máximo o restante dos envios humanitários programados, incluindo os direcionados a crianças desnutridas e a outros grupos desfavorecidos.
“É lógico que qualquer ato de violência tem consequências imediatas em termos de interrupção dos processos e fluxos normais de ajuda”, admitiu Darusman.
No entanto, o enviado da ONU insistiu que é necessário “continuar com os envios imediatamente depois da cessação das hostilidades”, em particular o acesso a alimentos, saúde e educação.
Com a economia destroçada e graves crises de fome entre sua população, o isolado regime da Coreia do Norte depende em boa parte da ajuda externa para atenuar seus problemas humanitários.
Darusman, nomeado enviado para os direitos humanos na Coreia do Norte em junho, ainda não obteve permissão das autoridades norte-coreanas para visitar o país, algo que seu antecessor, Vitit Muntarbhorn, também não conseguiu nos seis anos em que permaneceu no cargo.
Para o representante da ONU, o ataque de terça-feira evidencia “a necessidade de retomar as reuniões multilaterais” com Pyongyang para avançar rumo ao abandono do programa nuclear do regime de Kim Jong-il, paralisadas desde o fim de 2008.