“Serão estabelecidos dois corredores humanitários, um com o norte do país e outro com a República Dominicana”, disse hoje o subsecretário-geral adjunto da ONU para as operações de paz, Alain Leroy.
Segundo ele, para que esses dois corredores humanitários possam acelerar a distribuição da ajuda são necessárias mais forças de segurança.
“Precisamos de tropas para garantir esses corredores humanitários”, explicou Leroy, pouco depois de o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pedir ao Conselho de Segurança que ampliasse temporariamente em 3.500 homens a presença militar e policial da missão de estabilização para o Haiti (Minustah).
Leroy explicou que a República Dominicana, país vizinho ao Haiti e o primeiro a iniciar a ajuda, comprometeu já 800 soldados que se juntarão ao pedido feito pelo secretário-geral.
O responsável pelas operações de paz da ONU ressaltou que “as prioridades no momento são levar ajuda humanitária, estabelecer os corredores e dispor das forças de segurança suficientes para o caso de a situação piorar”.
“Temos que ter policiais suficientes para a distribuição dos alimentos e da assistência humanitária, além do fato de que os agentes da Polícia têm que voltar às ruas”, acrescentou Leroy.
Já a responsável pelo departamento de manutenção de paz da ONU, a argentina Susana Malcorra, ressaltou que, embora o tamanho da resposta humanitária seja enorme, “é preciso ajustá-lo”, pois muitas infraestruturas foram perdidas.
Malcorra ressaltou que no Haiti, além de água, alimentos e material médico de primeira necessidade, fazem falta infraestruturas básicas, como as telecomunicações, para que a operação de socorro possa ser posta em andamento.
Ela explicou igualmente que até o momento o aeroporto de Porto Príncipe, que teve a torre de controle destruída, foi o principal ponto de entrada de ajuda internacional, mas tem capacidade muito limitada.
O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.
O Exército brasileiro informou que pelo menos 17 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.
A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor.