O relator especial da ONU sobre Tortura, Manfred Nowak, e o relator para a proteção dos direitos humanos na luta contra o terrorismo, Martin Scheinin, pediram hoje ao Governo dos Estados Unidos que não transfiram nenhum preso de Guantánamo para países que possam torturá-los.
As manifestações dos especialistas da ONU vêm após as recentes decisões da Corte Suprema dos Estados Unidos, que aplainaram o caminho para a transferência de dois dos argelinos reclusos em Guantánamo.
O Departamento de Defesa dos EUA anunciou ontem a mudança à Argélia e ao Cabo Verde de dois detidos de Guantánamo. Com a transferência desses dois, ainda restam 178 presos na base militar americana localizada em Cuba.
O preso Abdul Aziz Naji foi transferido à Argélia, seu país de origem, enquanto o outro Abd-al-Nisr Mohammed Khantumani “será mandado para Cabo Verde”.
Os dois detidos argelinos temiam que, no retorno à Argélia, pudessem sofrer tortura e outros maus-tratos por parte dos serviços de segurança e de atores não estatais, segundo o comunicado dos relatores da ONU.
Estes dois presos integram um grupo de seis argelinos reclusos em Guantánamo, que também se acham em uma situação parecida.