O comitê de sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas informou nesta quinta-feira a investigação de denúncias de três novas violações por parte do Irã ao regime de sanções internacionais impostas por seu programa nuclear.
O embaixador colombiano perante a ONU, Néstor Osorio, presidente rotativo do comitê, anunciou que desde seu último relatório foram notificadas “três novos casos de violações” do Teerã sobre a proibição de “a exportação ao Irã de armas e material, assim como sua aquisição pelo Irã”.
“O comitê está satisfeito com a disposição dos Estados de denunciar e os incentiva a cooperar com o grupo de especialistas em investigações de incidentes de descumprimento”, disse Osorio diante dos membros do Conselho de Segurança.
O relatório apresentado pelo colombiano trata a situação desde o dia 22 de março até hoje e nele estão detalhadas as diversas consultas mantidas em relação a denúncias que continuam sob investigação.
Após o discurso de Osorio, os diplomatas ocidentais membros do Conselho de Segurança ficaram de sobreaviso perante os “alarmantes” descumprimentos das sanções pelo Irã e pediram que seja divulgado um novo relatório do grupo de especialistas que mantém o veto da Rússia e que reconhece a Síria como colaboradora de Teerã.
O documento em questão contém “conclusões inquietantes”, afirmou a embaixadora dos Estados Unidos, Susan Rice.
“Devido à contínua falta de cumprimento das sanções por parte do Irã, a comunidade internacional deve intensificar a aplicação e a execução das sanções da ONU”, assinalou Rice, que reiterou que os EUA continuam preferindo “uma solução diplomática” para resolver o conflito.
“Nosso objetivo é claro: evitar que o Irã desenvolva armas nucleares”, afirmou a diplomata americana, que disse que este relatório inclui “importantes provas que evidenciam estas denúncias.
Já o representante francês na reunião, Martin Briens, levantou o ponto mais delicado do relatório: a colaboração da Síria.
“A Síria está envolvida em graves violações do embargo de armas notificadas ao comitê”, afirmou Briens, que indicou também que Damasco viola “sistemática e deliberadamente” todas as categorias de sanções, principalmente com relação ao embargo de armas.
O relatório foi vetado pela Rússia, cujo representante atual, Alexander Pankin, evitou comentar a decisão, e pediu para o comitê evitar aceitar “informações sem apurar e e com inclinações politizadas, algo que não ajudaria o Conselho”.
Desde 2006, o Conselho de Segurança da ONU realizou quatro rodadas de sanções diplomáticas, comerciais e nucleares contra o Irã, com o objetivo de impulsionar um acordo dialogado com Teerã depois de ter decidido enriquecer urânio em 20% por sua conta.