O secretário-geral da ONU, nurse Ban Ki-moon, visit qualificou hoje de “repugnantes” os ataques da Junta Militar birmanesa contra os civis de seu país e pediu às autoridades “ações claras rumo à democracia e respeito aos direitos humanos”.
Ban fez estas declarações ao Conselho de Segurança da ONU, about it que se reuniu hoje para ouvir o relatório que o enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, preparou sobre sua recente viagem a Yangun para avaliar a situação.
“Estou muito preocupado com os recentes eventos em Mianmar e os relatos sobre as violações dos direitos humanos. Reitero que o uso da força contra manifestantes pacíficos é repugnante e inaceitável”, afirmou Ban.
“O mundo não é o mesmo de 20 anos atrás. Nenhum país pode se dar ao luxo de agir fora das normas pelas quais se regem todos os membros da comunidade internacional”, disse.
O secretário-geral disse ao Conselho que tinha pedido a Gambari que passasse à Junta Militar birmanesa “mensagens muito claras” da organização.
Por sua vez, Gambari afirmou ao órgão da ONU que tinha alertado à Junta Militar que a repressão às manifestações pacíficas tem repercussões internacionais.
Para ele, é uma incógnita se as autoridades responderão aos pedidos para libertar todos os detidos na onda de repressão iniciada na semana passada, e para o início de um processo de reconciliação nacional.
Gambari advertiu que, “a não ser que o Governo abra e amplie o processo que deve definir o futuro de Mianmar”, as exigências a favor da democratização do país continuarão.
Já Ban Ki-moon afirmou que, apesar de haver informações sobre a retirada de forças militares birmanesas de alguns locais e o levantamento de algumas restrições, “a situação continua muito séria”, principalmente por causa das pessoas presas.
“Espero que todos os detidos sejam libertados sem demora. Agora mais do que nunca o Governo de Mianmar deve adotar ações claras rumo à democratização e ao respeito dos direitos humanos”, disse o secretário-geral.
Acrescentou que o processo de reconciliação nacional no país “deve ser acelerado e ser realizado sobre a base mais ampla, inclusiva e transparente possível”. Ao mesmo tempo, considerou que o Governo de Naypyidaw tem que empreender um “diálogo político sério e global com a oposição”.
O secretário-geral elogiou a decisão do comandante da Junta Militar birmanesa, general Than Shwe, de se reunir com a dissidente e Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, sob prisão domiciliar.
“Peço que eles se reúnam o mais rápido possível”, disse Ban.
Para ele, “ainda é cedo” para avaliar o impacto da visita de Gambari como bem ou mal-sucedido. “Mas parece que uma janela de oportunidades foi aberta. É vital que o Governo de Mianmar responda positivamente”, disse.
Além disso, comentou que um processo de democratização birmanês exigiria “um grande compromisso das Nações Unidas” e da comunidade internacional, principalmente dos países da região.
A Birmânia (que atualmente o regime militar pede que seja chamada de “Mianmar”) é um país do sudeste asiático que faz fronteira com Bangladesh, Índia, China, Laos e Tailândia.
Ban também pediu unidade ao Conselho de Segurança, principalmente à China, pois foi Pequim – parceira de Mianmar – que considerou, por meio de embaixador na ONU, Wang Guangya, que a situação birmanesa não representa uma ameaça à segurança internacional e vetou a possibilidade de impor sanções a esse país.
O secretário-geral agradeceu ainda o apoio dos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), e disse que esperava que eles continuassem comprometidos e atuantes para encontrar uma solução para a crise.