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Mundo

ONU confirma que foram cometidos crimes contra a humanidade no Sudão

Arquivo Geral

15/08/2011 11h48

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos confirmou nesta segunda-feira (15) que durante o mês de junho foram cometidos crimes contra a humanidade e crimes de guerra na região sudanesa de Kordofan do Sul.

O Alto Comissariado, junto com o escritório da ONU no Sudão, elaborou um relatório preliminar sobre as violações de direitos humanos cometidas nesta região rica em petróleo em junho, semanas antes do Sudão do Sul declarar sua independência e quando o norte e o sul disputavam seu controle.

Em 5 de junho teve início um conflito armado entre as Forças Armadas do Sudão e o Movimento Popular de Libertação do Sudão na cidade de Kadugli, onde, segundo a ONU, ocorreram execuções extrajudiciais, detenções arbitrárias e ilegais, desaparições forçosas, ataques contra civis e destruição de propriedades.

O relatório também destacou os bombardeios aéreos contra civis por parte do Exército sudanês em Kadugli e em outras áreas de Kordofan do Sul – região na qual vivem cerca de 2,5 mil pessoas de cem etnias diferentes -, que provocaram diversas mortes.

Segundo o relatório, os bombardeios obrigaram cerca de 73 mil pessoas a buscar refúgio em hospitais, colégios e em dependências da ONU no país.

O Exército tomou o controle da cidade, fechou o tráfego aéreo civil, impediu a entrada de ajuda humanitária e iniciou uma campanha de saques de casas e controles de identidade de civis baseados na etnia e na afiliação política que levaram à detenções e inclusive a execuções sumárias.

A ONU também assegura ter provas do uso de armas químicas proibidas.

O relatório detalha ainda dezenas de casos concretos de detenções ilegais, desaparições e assassinatos, assim como ataques a jornalistas, que tiveram seu material de trabalho confiscado, e a funcionários das Nações Unidas na região.

A Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, revelou que se trata de um relatório preliminar, elaborado sob circunstâncias muito complicadas.

“No entanto, demonstra a gravidade do ocorrido em Kordofan do Sul e revela a necessidade de uma investigação independente para punir os criminosos”, ressaltou.

Pillay também manifestou sua preocupação com a continuidade da violência nas seis semanas posteriores ao período que o relatório leva em conta (5 a 30 de junho) e pediu ao Governo do Sudão que liberte os funcionários da ONU que estão sob sua custódia, assim como os detidos que não cometeram crime algum.

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