O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, recipe John Holmes, this lançou um alerta nesta quinta, por meio de um relatório enviado ao Conselho de Segurança sobre a “notável deterioração” da situação da população civil atingida pelos conflitos na Somália, na Etiópia e no Sudão.
Holmes viajou recentemente aos três países para avaliar as condições de vida e as necessidades dos milhões de pessoas que dependem da assistência humanitária para se alimentarem, usarem os serviços médicos e obterem moradia.
“Estou extremamente preocupado pela situação humanitária nas três regiões que visitei. São o reflexo dos imensos desafios políticos e de segurança que enfrenta a região, e que devem ser de grande interesse para este Conselho”, declarou Holmes durante seu discurso perante o órgão executivo da ONU.
O diplomata destacou o crescente problema humanitário que representa a fuga em massa de habitantes da capital somali, Mogadíscio, onde os combates contínuos entre tropas governamentais e rebeldes fizeram com que a metade da cidade tenha ficado vazia.
Quase a metade das 600 mil pessoas que abandonaram Mogadíscio se fixaram ao longo de um trecho de 15 quilômetros da estrada que une a capital com a localidade de Afgooye, o que para Holmes é “provavelmente a maior concentração mundial atual de deslocados internos em um mesmo local”.
“Todas as pessoas com as quais falei nos campos tinham fugido da intimidação e da violência que tornaram a vida em Mogadíscio insuportável”, declarou.
“Alguns deles”, prosseguiu, “me contaram como os franco-atiradores espalharam pânico nas ruas. Muitos fugiram apenas com a roupa do corpo”.
Holmes disse que está acontecendo uma operação de assistência “decente” para esta população, mas acrescentou que ainda existem dúvidas sobre a situação exata de outros grupos de deslocados que se refugiaram em áreas inacessíveis do centro e do sul do país.
Ante as graves condições nas quais vivem quase 1,5 milhão de somalis, o subsecretário anunciou que aumentará para US$ 400 milhões o pedido de fundos para 2008.
Na Etiópia, Holmes visitou a região de Ogadén, onde há alguns anos o Governo de Adis-Abeba enfrenta um movimento armado separatista.
A intensificação do conflito nos últimos meses e as medidas de isolamento da região executadas pelo Governo, disse, aumentaram o temor de que boa parte de seus 1,4 milhão de habitantes sofram uma crise de fome.
“Minha avaliação inicial da crise, a partir da minha visita e os contatos que tive, é de que apesar de atualmente não haver uma catástrofe humanitária, existem razões substanciais para crer o que poderia acontecer nos próximos meses se não se trabalhar para evitar isto”, declarou Holmes.
O subsecretário também descreveu um panorama preocupante em relação a Darfur, onde mais de 13.300 pessoas concedem assistência a 4,2 milhões de pessoas prejudicadas pelo conflito, mais da metade delas deslocadas de seus lares.
Holmes disse que ainda não surgiram as circunstâncias apropriadas para fomentar um retorno dos refugiados e deslocados a seus antigos lares.
Ele também advertiu que aconteceu um aumento significativo das agressões, principalmente de grupos rebeldes, contra organizações humanitárias.