O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, afirmou hoje que as supostas ameaças dos talibãs contra os voluntários internacionais no Paquistão não frearão a assistência aos desabrigados pelas inundações.
“Estas ameaças não nos dissuadirão, já as recebemos antes das inundações e sempre soubemos que há problemas de segurança”, disse Holmes em entrevista coletiva.
O diplomata britânico, que no mês que vem será substituído por sua compatriota Valerie Amos, assegurou, no entanto, que a ONU leva as ameaças a sério.
“Adotaremos as medidas necessárias, mas não deixaremos de fazer nosso trabalho, que é ajudar o povo paquistanês”, insistiu.
Alguns veículos de imprensa repercutiram nos últimos dias possíveis planos da insurgência talibã paquistanesa para atacar estrangeiros que desempenham trabalhos humanitários, mas fontes do serviço secreto paquistanês consultadas pela Agência Efe minimizaram a suposta ameaça.
Holmes lembrou que os trabalhos humanitários já foram alvo de atentados no Paquistão, como o de 2009 contra um escritório do Programa Mundial de Alimentos (PMA) em Islamabad, no qual morreram cinco funcionários da agência.
O principal responsável humanitário das Nações Unidas ressaltou que a situação no Paquistão continua grave e ameaça piorar na medida em que as águas avançam rumo ao sul do país.
Até o momento, pelo menos 17 milhões de pessoas foram “significativamente” afetadas pelo desastre natural. Quase metade precisa de ajuda humanitária urgente.
Além disso, as piores inundações dos últimos 80 anos nesse país, que alagaram um 20 % de seu território, causaram a morte desde finais de julho de pelo menos 1.600 pessoas.
Segundo Holmes, a ONU recebeu 70% dos US$ 460 milhões da ajuda internacional pedida com urgência em 11 de agosto. Além disso, a ajuda enviada pelos países de maneira bilateral chega a US$ 600 milhões.
“É uma resposta razoável, mas precisamos de mais, já que subestimamos as necessidades em nosso primeiro pedido de ajuda financeira”, acrescentou.