O chefe interino da Missão de Estabilização da ONU no Haiti (Minustah), o guatemalteco Edmond Mulet, acredita que “nunca” se saberá o número exato de mortos por causa do terremoto que assolou o país na semana passada, segundo declarações publicadas hoje pela imprensa da Guatemala.
“Nunca vamos saber o número exato. Muitas pessoas que estão debaixo dos escombros ficarão para sempre, porque edifícios inteiros caíram e movimentar esses escombros requer maquinaria pesada que não temos”, disse Mulet, em entrevista ao jornal “Prensa Libre”.
Além disso, advertiu que o Haiti “nunca vai voltar a ser o que era antes do terremoto, porque muito da identidade nacional se perdeu”.
“A arquitetura nacional, o palácio (presidencial), os monumentos faziam parte da identidade, e muitas destas coisas foram completamente destruídas”, disse.
O responsável provisório da Minustah disse que será preciso reconstruir um Haiti diferente, novo, mas “as feridas não só físicas ou materiais, mas também as espirituais e psicológicas, ficarão para sempre”.
Sobre a situação de segurança, insistiu em que está sob controle e qualificou como “totalmente falso” que exista uma explosão de insegurança no país caribenho.
“O Haiti era um país com nível de insegurança elevado antes do terremoto, e posso garantir que o que está acontecendo agora não é maior do que acontecia antes”, disse.
Mulet acrescentou que, segundo os especialistas, por enquanto, não existe risco de epidemias no país, apesar de que ainda existem cadáveres sob os escombros.
O diplomata guatemalteco foi nomeado à frente da Minustah após o falecimento do tunisiano Hedi Annabi, que morreu sob os escombros do edifício da ONU em Porto Príncipe que desabou.
O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.
O Exército brasileiro informou que 18 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.
Entre os civis – além da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e de Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti -, foi informado hoje que outra mulher também morreu no tremor, aumentando para 21 o número total de vítimas brasileiras.