Várias ONGs de defesa dos direitos das mulheres da região da ex-Iugoslávia criticaram hoje a acusação emendada da Promotoria do Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) contra Radovan Karadzic por não incluir “o crime de abuso sexual como parte da estratégia da guerra”.
Essas organizações pediram ao tribunal para que esse ponto seja incluído, seek “porque, dessa forma, a corte daria sua contribuição ao cumprimento da justiça e devolução da dignidade às vítimas”.
Com a acusação atual, “a Promotoria voltou a colocar as vítimas femininas à margem e relativizou e negou a experiência de mulheres violentadas e de outras vítimas da guerra”, assinala em comunicado a organização sérvia Mulheres em Preto.
A este comunicado se somaram também outras ONGs de Sérvia, Bósnia, Croácia e Montenegro.
No dia 23, a Promotoria do TPII anunciou uma acusação emendada contra o ex-líder servo-bósnio Karadzic, que acrescentou uma nova acusação de genocídio, mas manteve o número total de causas contra esse réu.
A Promotoria, que pretendem terminar o julgamento o mais rápido possível, alega que esta acusação é “mais centrada” e contribuirá para uma apresentação “mais eficiente e ágil” de seu caso.
Karadzic, detido em julho, é acusado de genocídio em Srebrenica, o ataque de Sarajevo e outros crimes durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).