A ONG Chinese Human Rights Defenders (CHRD) denunciou hoje a morte de três presos chineses supostamente como resultado de torturas.
A primeira morte contrastada por CHRD é a de Liu Fengqin, uma peticionária de 66 anos que denunciou um caso de corrupção em sua província, Hebei (contígua com Pequim) e que morreu dia 25 de setembro em um campo de trabalho (“laogai”).
Liu foi eximida de ser ingressada no “laogai” devido a sua avançada idade, no entanto uma ordem especial do Partido Comunista a enviou ao campo de trabalho, onde morreu dia 25 de setembro após piorar sua condição física sem que sua família fosse informada.
Os funcionários disseram que morreu de um “ataque ao coração”.
Os outros dois casos são o de Li Shulian, outra peticionária, e Shiyi Yuedu, um jovem da minoria étnica Yi.
O caso de Li, da província de Shandong (este), despertou uma grande inquietação nos foros de internet, já que aparentemente esta morreu dia 3 de outubro após haver sido sequestrada por interceptores de sua localidade, Longkou, fechada em uma prisão ilegal, surrada e estuprada.
Os funcionários disseram que Li tinha se enforcado, mas outros peticionários indicam que recebeu maus tratos nas mãos dos funcionários de Longkou, segundo CHRD, que está investigando o caso.
A ONG destaca que tanto Liu como Li eram peticionárias, pelo que expressam sua preocupação “por que estas mortes reflitam uma atitude mais dura por parte dos funcionários contra este coletivo” por ocasião do 60º aniversário da República Popular.
No último caso, o de Shiyi Yuedu, da província de Sichuan (sudoeste), ocorreu em junho, pouco após seu 20º aniversário, quando cumpria três anos de pena por furto em uma prisão de Shanxi (centro).
A prisão informou que tinha morrido de “doença”, embora não se lhe conhecia nenhuma, pelo que os familiares pediram uma autópsia após ver que o cadáver mostrava sinais de haver sido golpeado, ao que as autoridades carcerárias responderam oferecendo muito dinheiro se a família renunciava à autópsia.
Estes três casos se produzem depois que a opinião pública chinesa denunciasse em fevereiro a morte do recluso Li Qiaoming após ser torturado.
Em novembro passado, o Comitê da ONU contra a Tortura denunciou que a situação piorou na China.
A CHRD pede a Pequim que cumpra com seus compromissos com o Convenção contra a Tortura, que ratificou em 1988, que abra uma investigação independente por estas mortes e que processe aos culpados.